sexta-feira, 25 de setembro de 2009

este blog,a primavera,os pássaros, os platôs,metáporos,Shakespeare e os transes...

E Glória comenta :
"OnDE estamos, de que se trata, inquisição, Galileu,metáporos?...Que importa o nome? A rosa teria o mesmo perfume...W.Shakespeare? Vc esteve mesmo comigo no meu sonho? como sempre.?..rsrs...nem Romeu e Julieta assim...e lá fora um sol flamejante arde em mim...rsrs...

Nunca fui em lugar nenhum, nunca estive em lugar algum...nasci da luz dos olhos seus...

BEIJOS SARAU PARA TODOS...POETA DESTE BLOG EM TRANSE..." Glória Kreinz

 >>> "...e o transe das flores...
lhes dão perfumes inexoráveis!!!
e Glória e o sol e Shakespeare e Marcelo Roque...
e Walder,e Vania...e todo mundo...
e as poesias de Joana...e os escritos de Cristóvão...
as fotos de ECNICALEBRIC
e as visitas de FELLINI? ...e os artigos de Celso...
e os perfumes inexoráveis de todos...
e os terrores que existem
e os monopólios
e a soja ,o arroz, o trigo...
flores não comem soja e nem nada da Monsanto!?
e nem sabem o que é a América Latina e o mundo.
inexoráveis perfumam o mundo!
mas perfumariam muito mais se..."

Nadia Stanile - 25/09/09

E GLÓRIA CONTINUA:

PERFUMARIAM MUITO MAIS
SE VIESSEM PARA AS RUAS
PALCO E DEMOCRACIA,
ONDE O SARAU PARA TODOS,
FAZ COMUNICAÇÃO/GUERRILHA
JUNTOS,DE MÃOS DADAS,
COMO QUERIA DRUMMOND,
A ROSA E A GRANADA NAS MÃOS,
NOSSO CANTO CONTINUA...

Glória Kreinz

Seminário Post-it City - cidades ocasionais (clique aqui)


De 24 a 26 de setembro acontece o Seminário Post-it City - cidades ocasionais, a ser realizado no Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000). O projeto Post-it city, que tem a curadoria de Martí Peran, mapeou formas de utilização ou ocupação temporária de espaços urbanos em diferentes cidades do mundo. Por meio de vídeos, reproduções fotográficas, textos, mapas e plantas, são revelados os conflitos que permeiam as relações entre o público e o privado. Conflitos que muitas vezes geram ações e ocupações inusitadas. Leia mais...http://www.forumpermanente.org/.event_pres/simp_sem/seminario-post-it-cities/home/

Em São Paulo, a exposição (abertura no dia 26, às 15h) será acompanhada de um seminário que pretende fomentar a discussão sobre o espaço público, entrecruzando alguns estudos de caso de “urbanismo provisório” expostos na mostra Post-it Cities e outras formas de aparições transitórias na cidade através da abordagem de artistas, arquitetos, urbanistas, historiadores e psicólogos. A idéia é promover uma discussão sobre as várias facetas do espaço urbano e público em suas dimensões físicas e imaginárias.
O Fórum Permanente; museus de arte: entre o público e o privado fará a transmissão on-line (ao vivo), diretamente pelo portal, das seguintes mesas:
24.09 - 19h às 21h - Cidade como espaço da alteridade. Formação do corpo social no urbanismo e na arte.
Participantes: Louise Ganz (artista plástica e arquiteta - Brasil), David Sperling (arquiteto - Brasil), Amílcar Packer (artista plástico - Brasil). Mediadora: Débora Bolsoni (artista plástica e curadora educativa do CCSP - Brasil)

25.09 - 19h às 21h - Gradações entre o formal e o informal: escutas no espaço público.
Jorge Jiménez (filósofo - Costa Rica), Pio Torrojas (arquiteto - Argentina), Cida Davoli (psicodramatista - Brasil), Jorge Mario Jarauegui (arquiteto e urbanista - Argentina). Mediadora: Débora Bolsoni (artista plástica e curadora educativa do CCSP - Brasil)

26.09 - 15h às 17h - Considerações sobre a exposição Post-it Cities a partir da pesquisa em rede desenvolvida na Argentina, Chile e Brasil
Martí Peran (curador independente -Espanha), Paola Salaberri (arquiteta - Argentina), Pablo Brugnoli (arquiteto - Chile), Pedro M. R. Sales (arquiteto -Brasil). Mediador: Martin Grossmann (diretor geral do CCSP - Brasil).

Observação: caso ocorra algum problema com a transmissão on-line, devido às ocilações na internet, todos os vídeos estarão sendo gravados e, posteriormente, serão disponibilizados no site do Fórum Permanente; museus de arte: entre o público e o privado.

EDUCAÇÃO PROFISSIONAL - Haddad destaca a evolução das escolas em número e qualidade

Quarta-feira, 23 de setembro de 2009 - 20:13
 
Ao celebrar nesta quarta-feira, 23, o centenário da educação profissional brasileira, o ministro da Educação, Fernando Haddad, apresentou, em rede nacional de rádio e televisão, a evolução do número de escolas, sua distribuição pelo país e o papel que desempenham.

Em 1909, disse Haddad, o presidente da República Nilo Peçanha criou as 19 primeiras escolas técnicas federais. Nos cem anos seguintes, governos sucessivos chegaram a 140 escolas. Nos últimos sete anos, de 2003 a 2009, “o governo federal transformou o cenário do ensino técnico profissional” com a criação de 87 novas escolas que já estão em funcionamento.

E tem mais, disse o ministro. Estão em construção 127 escolas com investimentos que superam R$ 1 bilhão. Isso permitirá que, ao final de 2010, o Brasil tenha 354 escolas de educação profissional e 500 mil alunos. A outra novidade foi a criação dos 38 institutos de educação, ciência e tecnologia que são responsáveis pela coordenação de toda a rede.

Haddad destacou que, além de mais escolas e mais cursos é importante a diversidade na oferta de formação: a rede federal de educação profissional e tecnológica oferece cursos técnicos de nível médio, cursos superiores de tecnologia e licenciaturas em ciências e matemática. “Celebramos uma verdadeira transformação no ensino técnico e profissional”, disse Haddad.

Assista aqui o pronunciamento na íntegra.

Assessoria de Comunicação Social

Leia mais...
Institutos oferecem ensino de primeiro mundo, afirma Haddad
 
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=14362:haddad-destaca-a-evolucao-das-escolas-em-numero-e-qualidade&catid=209

Haddad visita projeto de escola a céu aberto em Diadema


Sexta-feira, 25/09/2009 - 07:14
São Paulo - O Programa Diadema Mais Educação será lançado hoje (25), às 15h, no município paulista, com a presença do ministro Fernando Haddad e do prefeito da cidade, Mário Reali. Desenvolvido em parceria com o governo federal, o programa prevê educação em tempo integral para alunos da rede municipal. A cerimônia de lançamento será no Circo Escola Diadema.

O programa beneficiará, na primeira etapa, 2,4 mil crianças de 6 e 7 anos, de dez escolas, que passarão a ter jornada diária de sete horas, com almoço nas unidades. Além do ensino regular em sala de aula, os estudantes terão atividades culturais (teatro, dança, hip hop), esportivas (natação, futebol, basquete), ambientais (Agenda 21 Escolar e hortas) e de lazer (recreação), além de acompanhamento pedagógico. 
 

"América Latina é hoje o lugar mais estimulante do mundo" (Amiga Valentina envia) (clique aqui e leia na íntegra)


23/09/09
Em entrevista ao La Jornada, Noam Chomsky fala sobre a América Latina, definindo-a como uma das únicas regiões do mundo onde há uma resistência real ao poder do império. "Pela primeira vez em 500 anos há movimentos rumo a uma verdadeira independência e separação do mundo imperial. Países que historicamente estiveram separados estão começando a se integrar. Esta integração é um pré-requisito para a independência. Historicamente, os EUA derrubaram um governo após outro; agora já não podem fazê-lo", diz Chomsky.
A América Latina é hoje o lugar mais estimulante do mundo, diz Noam Chomsky. Há aqui uma resistência real ao império; não existem muitas regiões das quais se possa dizer o mesmo. Entrevistado pelo La Jornada, um dos intelectuais dissidentes mais relevantes de nossos tempos assinala que a esperança e a mudança anunciada por Barack Obama é uma ilusão, já que são as instituições e não os indivíduos que determinam o rumo da política. Em última instância, o que Obama representa, para Chomsky, é um giro da extrema direita rumo ao centro da política tradicional dos Estados Unidos.

Presente no México para celebrar os 25 anos de La Jornada, o autor de mais de cem livros, lingüista, crítico antiimperialista, analista do papel desempenhado pelos meios de comunicação na fabricação do consenso, explica como a guerra às drogas iniciou nos EUA como parte de uma ofensiva conservadora contra a revolução cultural e a oposição à invasão do Vietnã. Apresentamos a seguir a íntegra das declarações de Chomsky ao La Jornada:

A América Latina é hoje o lugar mais estimulante do mundo. Pela primeira vez em 500 anos há movimentos rumo a uma verdadeira independência e separação do mundo imperial. Países que historicamente estiveram separados estão começando a se integrar. Esta integração é um pré-requisito para a independência. Historicamente, os EUA derrubaram um governo após outro; agora já não podem fazê-lo.

O Brasil é um exemplo interessante. No princípio dos anos 60, os programas de (João) Goulart não eram tão diferentes dos de Lula. Naquele caso, o governo de Kennedy organizou um golpe de Estado militar. Assim, o estado de segurança nacional se propagou por toda a região como uma praga. Hoje em dia, Lula é o cara bom, ao qual procuram tratar bem, em reação aos governos mais militantes na região. Nos EUA, não se publicam os comentários favoráveis de Lula a Chavez ou a Evo Morales. Eles silenciados porque não são o modelo.(...)

 LEIA NA ÍNTEGRA EM:
FONTE :  http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16160&boletim_id=594&componente_id=10006

teorias e práticas

alguns conhecem teorias a fundo
outros sempre estiveram na prática.
um ex metalúrgico precisou de teorias
de grandes homens,para virar presidente.
e hoje não há teoria que consiga explicar
as práticas deste presidente!
ou há !?
só sei que quem lê demais não tem tempo
de colocar as mãos na massa...
ou quem lê demais a vida,
vira poeta dos bons...
ou ainda...quem não lê nada,
não consegue ir adiante!
estas "escolas" que temos,
não servem nem para a prática,
nem para a teoria.
como dizia Paulo Freire,
aprendizagem não tem nada a ver com "ensinagem".

Nadia Stabile - 25/09/09

...o fazer das mãos

mãos conversam com argila,
conversam com pincéis e tintas
brigam com grafites e canetas
páginas em branco gritam
goivas ameaçam as mãos de quem as tocam,
artistas plásticos sabem bem que os materiais
tem vida,como também...os artesãos,os marceneiros,
as cozinheiras...os torneiros mecânicos...
mesmo utilizando máquinas para ajudar as mãos,
mesmo assim eles sabem pela prática do dia a dia,
que os materiais com seus limites, suas teimosias,
e suas qualidades,encaminham o processo, e lógico o produto final!
Marx sabia bem disso,certa vez li um livro
sobre materialismo dialético na arte,
e achei extraordinário encontrar a explicação
desta coisa incrível !! o fazer !!

Nadia Stabile - 25/09/09

* o livro chamava-se "Marx e Picasso",
livro antigo e que nunca mais
encontrei,não me lembro o nome do autor.

"Os Inconfidentes" - Cecília Meireles

Toda vez que um justo grita
Um carrasco o vem calar
Quem não presta fica vivo
Quem é bom, mandam matar
Quem não presta fica vivo
Quem é bom, mandam matar

Foi trabalhar para todos
E vede o que lhe acontece
Daqueles a quem servia
Já nenhum mais o conhece
Quando a desgraça é profunda
Que amigo se compadece?

Foi trabalhar para todos
Mas, por ele, quem trabalha?
Tombado fica seu corpo
Nessa esquisita batalha
Suas ações e seu nome
Por onde a glória os espalha?

Por aqui passava um homem
(E como o povo se ria!)
Que reformava este mundo
De cima da montaria
Por aqui passava um homem
(E como o povo se ria!)
Ele na frente falava
E atrás a sorte corria

Por aqui passava um homem
(E como o povo se ria!)
Liberdade ainda que tarde
Nos prometia

Sobre o(a) autor(a):
A obra da poetisa carioca é considerada atemporal por abranger diversas escolas dentre as quais destacam-se o modernismo, o simbolismo e técnicas do realismo.
Texto recolhido por Chico Buarque de "Romancerio da Inconfidência", publicado por Cecília em 53

FONTE : http://www2.tvcultura.com.br/provocacoes/poesia.asp?poesiaid=619

RESÍDUO - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE (esta poesia faz com que me lembre de um grande amigo que partiu,restou muito deste amigo em mim)

De tudo ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco.

Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).

Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.

Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
― vazio ― de cigarros, ficou um pouco.

Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.

Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.

Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?

Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil...
De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver... de aspirina.
De tudo ficou um pouco.

E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.

Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.

http://www.algumapoesia.com.br/drummond/drummond39.htm

O ABC da Mídia Tática



O manifesto inicial da Mídia Tática


O ABC da Mídia Tática
Por David Garcia e Geert Lovink

Mídias Táticas são o que acontece quando mídias baratas tipo 'faça você mesmo', tornadas possíveis pela revolução na eletrônica de c que qualquer coisa as separa das mídias dominantes.
Uma ética e uma estética distintiva que tem emergido, a qual é culturalmente influenciada pela MTV através das recentes obras em vídeo feitas por artistas. Começou como uma estética rápida e suja que, embora sendo só um outro estilo (ao menos em sua forma videográfica) tem vindo a simbolizar um verité para os anos 90.
Mídias táticas são mídias de crise, crítica e oposição. Esta é tanto a fonte de seu poder ("a raiva é uma energia": John Lydon), como a sua limitação. Seus heróis típicos são; o ativista, guerreiros de mídia nômades, o prankster, o hacker, o rapper de rua, o kamikaze de câmera de vídeo, eles são os alegres negativos, sempre à procura de um inimigo. Mas, uma vez que o inimigo tenha sido nomeado e vencido, é ao militante tático que ocorre entrar em crise. Logo (apesar de suas conquistas), fica fácil troçar dele com expressões típicas da direita, "politicamente correto", "cultura de vítima", etc. Mais teoricamente, as políticas de identidade, críticas midiáticas e teorias da representação, que viraram o fundamento da maior parte das mídias táticas ocidentais estão elas mesmas em crise. Estas formas de pensamento são largamente vistas como remanescentes críticos e repressivos de um humanismo antiquado.


Acreditar que questões de representação são agora irrelevantes é acreditar que as chances de grupos e indivíduos na vida real mesmo ainda não são crucialmente afetadas pelas imagens em circulação de que qualquer sociedade dada dispõe. E o fato de que nós não mais vemos a mídia de massas como a única e centralizada fonte de nossas próprias definições pode tornar estas questões mais escorregadias, mas isso não as torna redundantes.

Mídia Tática, uma forma qualificada de humanismo. Um antídoto útil para aquilo que Peter Lamborn Wilson descreveu como "o inoponível domínio do dinheiro sobre os seres humanos". Mas também como um antídoto para as novas formas emergentes de cientificismo tecnocrático que sob a bandeira do pós-humanismo tendem a restringir discussões de uso humano e recepção social.

O que torna nossas mídias táticas? Em "A Invenção do Cotidiano", De Certeau analisou a cultura popular não como um "domínio de textos ou artefatos senão como um conjunto de práticas ou operações realizadas em estruturas textuais ou em forma de texto". Ele transferiu a ênfase das representações em si direto para os "usos" das representações. Em outras palavras, de que modo nós, como consumidores, usamos os textos e artefatos que nos rodeiam. E a resposta, ele sugeriu, era "taticamente". Isso quer dizer de formas muito mais criativas e rebeldes do que já tinha sido imaginado. Ele descreveu o processo de consumo como um conjunto de táticas pelas quais o fraco faz uso do forte. Ele caracterizou o usuário (um termo que ele preferiu a consumidor) rebelde como tático e o presumido produtor ( no qual ele inclui autores, educadores, curadores e revolucionários) como estratégico. Estabelecer esta dicotomia permitiu a ele produzir um vocabulário de táticas rico e complexo o bastante para equivaler a uma estética reconhecível e distinta. Uma estética existencial.

Uma estética da apropriação, do engano, da leitura, da fala, do passeio, da compra, do desejo. Truques engenhosos, a astúcia do caçador, manobras, situações polimórficas, descobertas prazerosas, tão poéticas quanto guerreiras.


O conhecimento dessa dicotomia tática/estratégica nos ajudou a nomear uma classe de produtores que parecem singularmente conscientes do valor destas inversões temporárias no fluxo do poder. E mais que resistir a estas rebeliões, fazem tudo que podem para amplificá-las. E na verdade fazem com que a criação de espaços, canais e plataformas para estas inversões seja fundamental para sua prática. Nós denominamos o seu (nosso) trabalho de mídia tática.


Mídias Táticas nunca são perfeitas, mas sempre em transformação, performativas e pragmáticas, envolvidas num contínuo processo de questionamento das premissas das canais com que elas trabalham. Isto requer a confiança de que o conteúdo pode sobreviver intacto enquanto viaja de interface para interface. Mas nunca devemos esquecer de que a mídia híbrida tem seu oposto, sua nêmesis, a Medialen Gesamtkunstwerk (1). O programa final para a Bauhaus eletrônica.


É claro que é muito mais cômodo aderir aos rituais clássicos da cena underground e alternativa. Mas mídias táticas estão baseadas num princípio de resposta flexível, de trabalho com diferentes coligações, sendo capaz de se mover entre as diferentes entidades na vasta paisagem midiática sem trair suas motivações originais. Mídias Táticas podem ser hedonistas, ou entusiasticamente eufóricas. Mesmo os hypes de moda tem seus usos. Mas é acima de tudo a mobilidade o que mais caracteriza o militante tático. O desejo e a capacidade de combinar ou pular de uma mídia para outra criando um contínuo suprimento de mutantes e híbridos. Cruzar fronteiras, conectando e religando uma variedade de disciplinas e sempre tirando total proveito dos livres espaços na mídia que estão continuamente aparecendo devido ao ritmo da mudança tecnológica e à regulação incerta.


Embora as mídias táticas incluam mídias alternativas, não estamos restritos a esta categoria. De fato, nós introduzimos o termo tático para romper e ir além das rígidas dicotomias que tem reatringido o pensamento nesta área por tanto tempo, dicotomias tais como amador vs. profissional, alternativo vs. popular. Mesmo privado vs. público.


Nossas formas híbridas são sempre provisórias. O que conta são as conexões temporárias que você é capaz de fazer. Aqui e agora, não algum vaporware ( 2)

prometido para o futuro. Mas o que possamos fazer no lugar com a mídia a que temos acesso. Aqui em Amsterdam nós temos acesso à tv local, cidades digitais e fortalezas de novas e velhas mídias. Em outros lugares eles podem ter teatro, demonstrações de rua, filme experimental, literatura, fotografia.


A mobilidade da mídia tática a conecta com um movimento mais amplo de cultura migratória. Adotada pelos proponentes do que Nie Ascherson descreveu como a estimulante pseudo-ciência do Nomadismo. "A raça humana mostra que seus expoentes estão entrando numa nova época de movimento e migração. Os sujeitos da história, antes fazendeiros estabelecidos e cidadãos, passaram a ser os migrantes, os refugiados, os gastarbeiters ( 3) , os que procuram asilo, os sem-teto urbanos".


Um exemplo característico do tático pode ser visto no trabalho do artista polonês Krzystof Wodiczko que percebe como as hordas de desalojados agora ocupam o espaço público das cidades: praças, parques, vãos de estações de trem que tinham antes sido desenhados por uma triunfante classe média para celebrar a conquista de seus novos direitos políticos e liberdades econômicas. Wodiczko acredita que estes espaços ocupados formam novas àgoras que deveriam ser usadas para sua determinação. "O artista", diz ele, "precisa aprender como operar como um sofista nômade numa pólis migratória".


Como outros taticistas de mídia migratórios, Wodiczko tem estudado as técnicas pelas quais os fracos se tornam mais fortes que os opressores, ao se dispersarem, ao não terem centro, ao se moverem rapidamente pelas paisagens midiáticas físicas ou virtuais. "O caçado deve descobrir a maneira de se tornar o caçador".


Mas o capital também está radicalmente desterritorializado. É por isso que nós apreciamos estar baseados numa edificação como De Waag, uma velha fortaleza no centro de Amsterdam. Nós alegremente aceitamos o paradoxo de *centros* de mídia tática. Assim como castelos no ar, precisamos de fortalezas de tijolos e argamassa, para resistir a um mundo de livres fluxos de capital nômade. Espaços para planejar e não só improvisar e a possibilidade de capitalizar sobre as vantagens adquiridas, têm sempre sido as prerrogativas das mídias "estratégicas". Como taticistas de mídia flexíveis, que não têm medo do poder, ficamos contentes ao utilizar esta abordagem para nós mesmos.


A cada poucos anos nós realizamos uma conferência Next 5 Minutes (Próximos Cinco Minutos) sobre mídia tática a nível mundial. Finalmente temos uma base (De Waag), da qual esperamos consolidar e seguir construindo a longo prazo. Vemos este edifício como um local para planejar evntos e encontros regulares, incluindo o próximo The Next 5 Minutes. Nós vemos o próximo The Next 5 Minutes (em janeiro de 1999), e as discussões que a ele conduzam, como parte de um movimento para criar um antídoto ao que Peter Lamborn Wilson descreveu como "o inoponível domínio do dinheiro sobre os seres humanos".


1. Obra de arte total midiática.
2. Software ainda não lançado no mercado, provavelmente em pesquisa.
3.Trabalhadores imigrantes, em alemão.
Tradução: Ricardo Rosas 

FONTE : http://www.midiaindependente.org/pt/red/2003/03/249849.shtml

INCONSCIENTE PARA DELEUZE & GUATTARI

Mil Platôs – Capitalismo e Esquizofrenia – Deleuze e Guattari

(...)Para Deleuze, o rizoma é inter-relação entre os conceitos. O rizoma é o modelo de realização dos acontecimentos, que tem espaços e tempos livres, onde os acontecimentos são potencialidades desenvolvidas das relações entre os elementos do principio característico das multiplicidades.(...)

(...)Guattari, antes mesmo deste livro, escreveu juntamente com Deleuze o Anti-Édipo, onde ele tenta fazer uma ruptura da psicanálise. A psicanálise tem como objeto o inconsciente, porém cristalizado. O que ele procura nos mostrar é que existe a possibilidade de estudar o inconsciente sem que o mesmo esteja cristalizado ou somente conectado à descrições de fatos, mas a possibilidade de exploração de um inconsciente não-camuflado, puro nele mesmo, sem que seja estudado pela camuflagem que o recobre, como os recantos da memória ou da linguagem. O que a psicanálise fez até então foi um decalque do inconsciente. Mas Deleuze e ele tentam mostrar que é possível fazer um mapa do inconsciente, muito além do simples decalque.

É como observar uma cidade inteira do alto de uma montanha, perceber como é a geologia do lugar, ao invés de adentrar a cidade e medir o território já estabelecido. Se observar do alto, poderá perceber as potencialidades de crescimento daquele território, mas se adentrar a cidade, apenas fará um estudo de pontos daquele determinado lugar, fechando as possibilidades de entrada e saída. Assim funciona com o inconsciente, que, pelo que foi compreendido aqui, deve ser estudado enquanto possibilidades, e não se limitar a fatos ou extratos que o compõem.

O rizoma é o mapa do lugar. Ele tem entradas múltiplas, o que permite também a sua expansão. Ao contrário do decalque, que cava sempre no mesmo lugar.

Deleuze e Guattari chamam isso de esquizoanálise. “Ao contrário da psicanálise, da competência psicanalítica, que achata cada desejo e enunciado sobre um eixo genético ou uma estrutura sobrecodificante e que produz ao infinito decalques dos estágios sobre este eixo(…) a esquizoanálise recusa toda a idéia de fatalidade decalcada, seja qual for o nome que lhe dê, histórica, econômica, estrutural, hereditária, etc.”

O desejo, para a esquizoanálise de Deleuze e Guattari, não é necessariamente ligado a um eixo genético, nem participa de uma estrutura profunda, ele atua como uma intensidade que circula entre entradas e saídas de problemas nos quais vivemos politicamente, e assim o desejo se transforma em pulsão, e pode ser vivenciado através das escolhas políticas decorrentes de agenciamentos.

Estudar o inconsciente seria mostrar como ele tenta constituir um rizoma, mas também com linhas de fuga. Essas linhas de fuga normalmente são obstruídas quando atentamos apenas para o enraizamento do indivíduo na família, sociedade, cultura. Ao invés de fechar o sistema, devemos abri-lo e possibilitar infinitas linhas de fuga.



“Pode até ser que a psicanálise sirva, não obstante nela, como ponto de apoio. Em outros casos, ao contrário, nos apoiaremos diretamente sobre uma linha de fuga que permita explodir os estratos, romper as raízes e operar novas conexões”.

O termo esquizoanálise vem do germânico skhízein (esquizo) que significa fender, dividido. Análise fendida, dividida, multiplicada.

Segundo Wikipedia:

“A cada momento, o ser humano é atravessado por forças externas, que se encontram no campo sócio-cultural, as quais promovem encontros que ora cristalizam o sujeito nos seus valores, tornando-o um ser mecânico e repetitivo, ora os faz produzir e viver de forma criativa e potente na relação com a vida.

Criada por Gilles Deleuze e Felix Guattari, a Esquizoanálise é uma concepção da realidade em todas suas superfícies, processos e entes, e também nas suas individuações inventivas como acontecimentos-devires. Para esta concepção, a produção e o desejo são imanentes entre si e produtores de toda a realidade. Consiste em uma ampla leitura da realidade, tanto natural, quanto social, subjetiva e assim como de uma realidade “outra”, pluripotencial.”(...)


LEIA MAIS EM : http://www.consciencia.org/mil-platos-capitalismo-e-esquizofrenia-deleuze-e-guattari
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