quinta-feira, 6 de novembro de 2014

BOCAGE - (1765-1805)



II  [SONETO DO EPITAPHIO]

La quando em mim perder a humanidade
Mais um daquelles, que não fazem falta,
Verbi-gratia — o theologo, o peralta,
Algum duque, ou marquez, ou conde, ou frade:

Não quero funeral communidade,
Que engrole "sub-venites" em voz alta;
Pingados gattarrões, gente de malta,
Eu tambem vos dispenso a caridade:

Mas quando ferrugenta enxada edosa
Sepulchro me cavar em ermo outeiro,
Lavre-me este epitaphio mão piedosa:

"Aqui dorme Bocage, o putanheiro;
Passou vida folgada, e milagrosa;
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro".



III [SONETO DO MEMBRO MONSTRUOSO]

Esse dysforme, e rigido porraz
Do semblante me faz perder a cor:
E assombrado d'espanto, e de terror
Dar mais de cinco passos para traz:

A espada do membrudo Ferrabraz
De certo não mettia mais horror:
Esse membro é capaz até de pôr
A amotinada Europa toda em paz.

Creio que nas fodaes recreações
Não te hão de a rija machina soffrer
Os mais corridos, sordidos cações:

De Venus não desfructas o prazer:
Que esse monstro, que alojas nos calções,
É porra de mostrar, não de foder.



IV  [SONETO (DES)PEJADO]

Num cappote embrulhado, ao pé de Armia,
Que tinha perto a mãe o cha fazendo,
Na linda mão lhe foi (oh céus) mettendo
O meu caralho, que de amor fervia:

Entre o susto, entre o pejo a moça ardia;
E eu solapado os beijos remordendo,
Pela fisga da saia a mão crescendo
A chamada sacana lhe fazia:

Entra a vir-se a menina... Ah! que vergonha!
"Que tens?" — lhe diz a mãe sobresaltada:
Não pode ella encobrir na mão langonha:

Suffocada ficou, a mãe corada:
Finda a partida, e mais do que medonha
A noite começou da bofetada.



V [SONETO AO ARCADE FRANÇA]

No cantho de um venal salão de dansa,
Ao som de uma rebeca desgrudada,
Olhos em alvo, a porra arrebitada,
Bocage, o folgazão, rostia o França. (2)

Este, com mogigangas de creança,
Com a mão pelos ovos encrespada,
Brandia sobre a roxa fronte alçada
Do assanhado porraz, que quer lambança.

Veterana se faz a mão bisonha;
Tanto a tempo meneia, e sua o bicho,
Que em Bocage o tesão vence a vergonha:

Quiz vir-me por luxuria, ou por capricho;
Mas em vez de acudir-lhe alva langonha
Rebenta-lhe do cu merdoso esguicho.
 
 http://www.elsonfroes.com.br/bocage.htm
 http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Maria_Barbosa_du_Bocage
 




 

se as capivaras falassem e a merda do rio Pinheiros


aquele que foi reeleito nas últimas eleições, 
aqui no estado de São Paulo,
anuncia que a merda do rio Pinheiros será tratada e depois 
o caldo desta merda será jogado na represa Guarapiranga!
Zona sul de São Paulo, preparem-se...a vingança do médico 
nazi- fascista está a concretizar - se mais do que nunca!
se por acaso encontrarem pelos de capivara em suas torneiras,
levantem as mãos pro céu e agradeçam !
água de reuso, para quem não sabe, nunca 
foi considerada água  potável, é muita usada 
em processos industriais.
se jogar esta água na Guarapiranga,
poderia melhorá-la... só se for invencionice
de... é melhor nem dizer.
sempre a mesma história,
quem tem posses coloca filtros de última geração
em casa ou enche a piscina com água mineral,
agora quem não tem...

nadia gal stabile - 06 11 2014
 




quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O INFINITO NA ARTE

http://pichacoes2.blogspot.com.br/2014/11/o-infinito-na-arte.html



releitura da obra de Rembrandt : “A Ronda Noturna”


nenhum artista é capaz de prever
as infinitas interpretações 
e reinterpretações
de sua arte.

Monalisa e Ronda Noturna,
talvez sejam as obras 
mais reinterpretadas
deste mundo!

as releituras de Ronda Noturna de Rembrandt abundam,
e a Monalisa, graças a Internet,
continuará a nos surpreender!
tentem imaginar a cara 
de Rembrandt e de Da Vinci
ao verem todas estas releituras!

muitos ainda não perceberam
que a arte não pode ter limites,
que leis de direitos autorais
precisam ser revistas.

artista que quer aprisionar sua arte,
nega a arte, vive fora da realidade.

nadia gal stabile - 05 11 2014 


http://www.banksy-wallpaper.com/banksy-wallpapers/mona-lisa-bazooka.php

http://www.pavablog.com/2013/11/09/obras-de-arte-ganham-releituras-com-um-simpatico-gatinho/

roupa suja se lava em casa

http://pichacoes2.blogspot.com.br/2014/11/roupa-suja-se-lava-em-casa.html





roupa suja se lava em casa
(ninguém quis lavar)
sujeira em baixo do tapete apodrece,
foi o chefe que quis assim.
ele morreu, a família ficou poluida.
as sujeiras das famílias de classe media
transbordam por todo lado,
juntam-se com todas as outras 
sujeiras dos que 
(des) governam.


paredão neles! diria o chefe,
paredão, paredão... 
paredão na sujeira!?
não...
as faxineiras entram 
na podridão dos chefes,
só querem limpar, limpar, limpar,
mas o mau cheiro nunca sai,
a sujeira, a injustiça, a insistência no erro,
inertes, apodrecem debaixo do tapete.
quem sabe seria melhor o chefe fumar,
sair para comprar cigarros
e nunca mais voltar.

mentes sujas, não confundam 
suas sujeiras com as minhas,
cada um tem muita originalidade 
nas sujeiras.

"achar pelo em ovo",
"achar chifres em cabeça de cavalo",
"boca suja se lava com cândida",
"bocca chiusa", sofram calada(os),
um dia a verdade aparece,
"eu já estarei morto", 
diz o chefe!
deixem as coisas assim,
cruzemos os braços
que as coisas se resolvem sozinhas.
hipócrita...pune mentiras,
mas continua mentindo
por décadas...pela vida toda!

pune  vítimas,
torna-se cúmplice 
de inocentes úteis.

faz das vítimas, bodes espiatórios,
morre e vem assombrar as vítimas!

"chutar o balde" ou o "pau da barraca"
é coisa que nunca passaria, por anos
e anos, na cabeça da sujeira 
debaixo do tapete, a falsa vítima,
ou a vítima que foi assassinada
por todos, mas continua viva,
mesmo sendo assassinada diariamente,
está a agonizar e vomitar
as sujeiras debaixo do tapete.

nadia gal stabile - 05 11 2014

*imagem : Google Imagens e grafites de Banksy.


terça-feira, 4 de novembro de 2014

EXTRADIÇÕES; O CASO PIZZOLATO

Extradições: o Caso Pizzolato



Carlos Alberto Lungarzo

Lendo Carta Capital, encontrei um artigo do jurista Walter Maierovitch  onde se refere à boataria de algumas pessoas que comentam que "a negativa de extradição de Pizzolato é um "troco" que a Itália está dando pela negativa de extradição de Battisti".
Sensatamente, o jurista considera essa opinião descabida. Com efeito, como ele disse, a justiça não é uma troca de vinganças, mas apenas a aplicação das medidas cabíveis ao caso (punição ou absolvição), independentemente do que faça a outra parte.
Como o assunto da vingança, neste caso particular, é bastante grosseiro e irritativo (fala-se de extradição como se fosse um ato de guerra onde se trocam reféns), quero acrescentar algo na esperança de ajudar a enfraquecer estes delirantes boatos.
Primeiro: quem mais insiste na "vingança italiana" é a direita, os blogueiros fascistas, e os especialistas em generalidade que comandam programas de notícias. Por que? Muito simples: eles querem culpar o PT. Segundo esse raciocínio, se Lula beneficiou Battisti, então a Itália se "vinga" beneficiando Pizzolato.
Isto contém, primeiro, um erro de conteúdo. Os réus políticos (do PT) foram condenados em julgamento baseado em ilações, conjeturas não provadas e até doutrinas filosóficas, sustentadas por vários membros do STF. Especialmente por dois desses juízes que  atuam (um deles há muito tempo), como representantes jurídicos do PSDB.
A devolução de Pizzolato não beneficiaria ao Estado Brasileiro, mas apenas aos magistrados que consentiram com este julgamento 99% político e, em particular, à oposição. Qualquer que seja a forma em que a justiça italiana incline a balança jurídica, nos casos políticos, é claro que a justiça peninsular não tem nenhum interesse em ajudar a oposição golpista do Brasil.
Segundo: Há uma longa tradição ocidental em matéria de extradição, no sentido de que é a justiça (um tribunal, às vezes um juiz monocrático, como em USA, o STF no Brasil) que julga e processa a extradição. Se, como resultado do julgamento, decide que a extradição seria injusta, o assunto fica encerrado. Se a justiça aceita a admissibilidade da extradição, caberá ao chefe do executivo decidir se a executará ou não a extradição. Lula não extraditou Battisti, porque o STF apenas "autorizou" a extraditar, não poderia "obrigar".
Como disse o atual ministro Barroso, na época defensor de Cesare, o fato de executar a extradição (ou seja, dar a ordem para extraditar) cabe ao presidente e, como enfatizou o jurista, isso é absolutamente pacífico na jurisprudência brasileira.
Em realidade, a única exceção a isso, em todo Ocidente, é a possibilidade de extradição no interior da União Européia, desde que o perseguido tenha uma procura de detenção de acordo com o tratado de Schlangen.
O STF na madrugada de 9 de junho de 2011, resolveu liberar Battisti que estava na Papuda. Battisti era considerado extraditável, mas, por decisão do próprio STF em dezembro de 2011, a escolha entre execução ou recusa, cabia a Lula, e ele já se tinha manifestado pela recusa.
No caso Pizzolato, a corte de Bologna considera o brasileiro não extraditável. A única coisa que poderia modificar isto é a Corte di Cassazione. Por enquanto, nenhuma autoridade tem direito a devolver Pizzolato ao Brasil. Ora, como o caso dele é bastante claro (falta de provas, limitação do direito de defesa, etc), é provável que a Corte tampouco autorize.
Oficialmente, fala-se de nacionalidade italiana de Pizzolato. Entretanto, o Tratado de Extradição Brasil-Itália, disse que a Itália não poderá ser obrigada a entregar um nacional (ou alguma frase equivalente). Ou seja, ela pode proteger um nacional, mas também pode abrir mão dessa proteção. Se realmente houve um crime grave, como dizem no Brasil, por que não entregar?
O que acontece é que, além das pavorosas prisões brasileiras, o tribunal deve ter apreciado a inexistência de provas. Digo "deve" porque a mídia brasileira mantém tudo na maior confusão e só podemos saber algo através da mídia de outros países.
O Procurador Geral da República, Janot, estava pálido quando dizia que "isto criava um precedente grave. Pode acabar com extradições para o Brasil". Ótimo. Devem acabar. É mais humano dar uma injeção letal a um extraditando, que metê-lo numa verdadeira masmorra medieval no Brasil, mesmo que seja por um mês. O PGR "erra" ao dizer que há algumas três ou quatro prisões que são masmorras. Talvez haja apenas uma que NÃO SEJA, a Papuda. Todas as prisões estatais, que estão sob governos da direita, são verdadeiros buracos de cadáveres vivos.
Outra coisa que preocupa à direita, é que a opinião pública internacional (caso apareça algum grupo realmente defensor dos direitos humanos que decida tomar a causa de Pizzolato),poderá por em evidencia a farsa do mensalão.


FOGUETES


se aquele trem  tivesse
explodido em janeiro de 1958
eu não seria.

e em não sendo, não estaria a ver
tantas barbaridades neste planeta
eu não seria nada, ou seria sim,
seria uma poeirinha cósmica
a flutuar pelo universo.

em abril de 1957,
quando colocaram-me no trem,
e iniciei a viagem,
fiquei sem saber se ia ou se ficava,
se desistia...desta enorme confusão...
desistir - não existir - ficar onde se estava para sempre,
ser nada...e deixar de saber
sobre bombas atômicas, ou foguetes explodindo,
ou jogos políticos de última categoria.

para que pegamos trens errados?
porque queremos tanto dar asas a egos?
para que nascemos se a maioria de nós,
nem são tão esperados assim?
e... para que continuamos vivos
se a maioria  sente-se
na viagem errada,
a maioria pegou o trem errado,
a maioria nem consegue descobrir
qual seria o trem certo,
e mesmo assim continuamos aqui
a tentar entender o que não tem explicação.

continuamos aqui sempre muito mal acompanhados,
ou exilados, injustiçados, prisioneiros de situações
ridículas, sendo feitos de palhaços...
pra que tanta miséria humana?
pra que tanto caos urbano?
pra que tanta destruição da natureza?
pra que tantos mistérios de meia dúzia de canalhas?
pra que estou viva até hoje?
porque não fui eu a escrever o poema em linha reta de Pessoa?
http://www.releituras.com/fpessoa_linhareta.asp
a palavra, a poesia é a única resposta que consigo ver agora.

nadia gal stabile - 04 11 2014

http://pt.wikipedia.org/wiki/Esta%C3%A7%C3%A3o_Espacial_Internacional

 http://www.swissinfo.ch/por/explos%C3%A3o-de-foguete-antares-exp%C3%B5e-riscos-de-voos-contratados-pela-nasa/41087624











sábado, 1 de novembro de 2014

A ARTE DE MANÉ DO CAFÉ E POEMA DE ARMANDO TEJADA GÓMEZ (1929 - 1992)

Aquarelas com café, de Mané do Café.
No segundo vídeo, Mané fala sobre sua arte
e declama um trecho do 
poema de Armando Tejada Gómez, 
"Hay un Niño En La Calle"
Arte hiper sensível e poética.

Nadia Gal Stabile - 1º de novembro de 2014







veja mais no vídeo:
https://www.youtube.com/watch?v=1KKd9h2bD9g



https://www.youtube.com/watch?v=3zfqQTy5xSg




 http://es.wikipedia.org/wiki/Armando_Tejada_G%C3%B3mez

http://letras.mus.br/mercedes-sosa/1296977/traducao.html

Canción Para Un Niño En La Calle

 Armando Tejada Gómez

A esta hora exactamente,
Hay un niño en la calle...
¡Hay un niño en la calle!

Es honra de los hombres proteger lo que crece,
Cuidar que no haya infancia dispersa por las calles,
Evitar que naufrague su corazón de barco,
Su increíble aventura de pan y chocolate
Poniéndole una estrella en el sitio del hambre.
De otro modo es inútil, de otro modo es absurdo
Ensayar en la tierra la alegría y el canto,
Porque de nada vale si hay un niño en la calle.

No debe andar el mundo con el amor descalzo
Enarbolando un diario como un ala en la mano
Trepándose a los trenes, canjeándonos la risa,
Golpeándonos el pecho con un ala cansada.
No debe andar la vida, recién nacida, a precio,
La niñez arriesgada a una estrecha ganancia
Porque entonces las manos son inútiles fardos
Y el corazón, apenas, una mala palabra.

Pobre del que ha olvidado que hay un niño en la calle,
Que hay millones de niños que viven en la calle
Y multitud de niños que crecen en la calle.
Yo los veo apretando su corazón pequeño,
Mirándonos a todas con fábula en los ojos.
Un relámpago trunco les cruza la mirada,
Porque nadie protege esa vida que crece
Y el amor se ha perdido, como un niño en la calle.



CANCIÓN CON TODOS - ARMANDO TEJADA GÓMEZ E CÉSAR ISELLA


MERCEDES SOSA INTERPRETA :

 
https://www.youtube.com/watch?v=icrCSlBGkl0

Canción con todos

(Armando Tejada Gómez - César Isella)

Salgo a caminar
por la cintura cósmica del sur.
Piso en la región
más vegetal del viento y de la luz.
Siento al caminar
toda la piel de América en mi piel
y anda en mi sangre un río
que libera en mi voz su caudal.

Sol de Alto Perú,
rostro Bolivia, estaño y soledad,
un verde Brasil,
besa mi Chile cobre y mineral.
Subo desde el sur
hacia la entraña América y total,
pura raíz de un grito
destinado a crecer y estallar.

Todas las voces, todas,
todas las manos, todas,
toda la sangre puede
ser canción en el viento.
Canta conmigo, canta,
hermano americano.
Libera tu esperanza
con un grito en la voz.


(Ciñe el Ecuador
de luz Colombia al valle cafetal.
Cuba de alto son
nombra en el viento a México ancestral.
Continente azul
que en Nicaragua busca su raíz
para que luche el hombre
de país en país
por la paz.)


 http://es.wikipedia.org/wiki/Canci%C3%B3n_con_todos

 http://es.wikipedia.org/wiki/Armando_Tejada_G%C3%B3mez


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