quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Romeu e Julieta



Trecho do filme de Zefirelli. Primeiro encontro dos dois amantes, usando a versão original de Shakespeare.

Novo acontecendo (Walder maia do Carmo)

As mãos de um fado tenro
buscava identidade na alforria
Aquele destino, vida sem nada,
intuitivamente
sabia que aquilo não era definitivo
Ouvia sua voz:
Somos a resposta daquilo que permitimos
e nas mãos
o novo acontecendo,
acontecendo...

MARCELO ROQUE ESCREVE E GLÓRIA KREINZ DIVULGA POESIA EM HOMENAGEM AOS 70 ANOS SEM FREUD:DIVÃ DO AMOR E SECOS E MOLHADOS-FALA


FREUD SEMPRE FOI UMA DAS GRANDES PAIXÕES DE SARTRE.ELE MARCA O SÉCULO XX COM SUA PRESENÇA. A CÁTEDRA UNESCO NJR/ECA/USP, A ABRADIC E DEMAIS ENTIDADES DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA PRESTAM SUA HOMENAGEM EM POESIA E VÍDEO-FALA:SECOS E MOLHADOS

Divã do amor

Eu vou me perder ...
Me encontrar ...
Vou mentir para mim mesmo ...
Me revelar ...
Vou jurar não ser ...
Desjurar o que disse ...
Me apegar a razão ...
Ser vencido pelo coração ...

Eu vou rasgar minhas cartas ...
Reescrevê-las de novo ...
Desviar meus olhares ...
Procurar outros olhos ...
Respirar mansamente ...
Me sentir ofegante ...
Renunciar minha vida ...
Suicidar minha morte ...

Vou fingir não ouvir ...
Ser todo ouvidos ...
Enganar meus sentidos ...
Ser enganado por eles ...
Negar o meu beijo ...
Saborear outra lingua ...

E assim ...
Me expôr ...
No divã do amor ...


Marcelo Roque

DO BLOG DA GLÓRIA KREINZ
FONTE: http://stoa.usp.br/gkdivulga/weblog/62510.html

RELEITURA DE VERSO DE UM POEMA DE "ANTÔNIO GONÇALVES DIAS" (AMIGA REGINA FEZ A RELEITURA E ENVIOU)

"Coragem, meu filho, que a vida é combate...e saia dançando dessa cadeira."

***********************

 "Canção do Tamoio" (trecho original)
Antônio Gonçalves Dias


I
Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos
Só pode exaltar.(...)

Cecília - CHICO BUARQUE

Cecília

Composição: Luíz Cláudio Ramos/Chico Buarque

Quantos artistas
Entoam baladas
Para suas amadas
Com grandes orquestras
Como os invejo
Como os admiro
Eu, que te vejo
E nem quase respiro

Quantos poetas
Românticos, prosas
Exaltam suas musas
Com todas as letras
Eu te murmuro
Eu te suspiro
Eu, que soletro
Teu nome no escuro


Me escutas, Cecília?
Mas eu te chamava em silêncio
Na tua presença
Palavras são brutas


Pode ser que, entreabertos
Meus lábios de leve
Tremessem por ti
Mas nem as sutis melodias
Merecem, Cecília, teu nome
Espalhar por aí
Como tantos poetas
Tantos cantores
Tantas Cecílias
Com mil refletores
Eu, que não digo
Mas ardo de desejo
Te olho
Te guardo
Te sigo
Te vejo dormir

Ney Matogrosso - Bandoleiro (...a misturar nas patas terras de outras terras)

Bandoleiro
Ney Matogrosso
Composição: Lucina e Luli

Fossem ciganos a levantar poeira
A misturar nas patas
Terras de outras terras, ares de outras matas
Eu, bandoleiro, no meu cavalo alado
Na mão direita o fado
Jogando sementes nos campos da mente
E se falasses magia, sonho e fantasia
E se falasses encanto, quebranto e condão
Não te enganarias, não te enganarias
Não te enganarias, não!
Fossem ciganos a levantar poeira
A misturar nas patas
Terras de outras terras, ares de outras matas
Eu, bandoleiro, no meu cavalo alado
Na mão direita o fado
Jogando sementes nos campos da mente
E se falasses magia, sonho e fantasia
E se falasses encanto, quebranto e condão
Feitiço, transe-viagem, alucinação

"KAZUO OHNO" E OUTROS- FRASES E FRAGMENTOS (rememorando postagem de 21/01/09)

"É preciso desabrochar até onde for possível, com toda a alma". Kazuo Ohno

"Nascer é a grande improvisação" Tatsumi Hijikata


"Na minha dança eu nunca me preocupei em saber se o que eu criava era ou não era Butoh, só pensava em fazer algo bom. Entretanto, nunca estive satisfeito com minha dança. Eu danço movido por um sentimento de gratidão. O que me interessa é que o Homem, com este corpo tão pequeno, contém todos os elementos do Universo dentro de si. Para mim, se eu não puder dançar esse homem, se não houver essa forma de dançar, não haverá sentido em dançar." Kazuo Ohno

"O belo continua até a eternidade. Há um existir infinito". Kazuo Ohno

"O único movimento que tem significado é aquele que deriva da alma". Kazuo Ohno

"As feridas do nosso corpo fecham e se curam, mas existem as feridas escondidas, aquelas do coração. Se você souber aceitá-las descobrirá a dor e o prazer que são impossíveis expressar com palavras. Você encontrará a realidade poética que só o corpo pode expressar". Kazuo Ohno

"Os homens vivem com a consciência de que morrerão, no entanto esperam ter uma vida eterna. A eternidade é um dos argumentos principais do Butô. Ela cabe no instante, e esta consciência serve para ultrapassar as barreiras do corpo. A morte é inevitável, não podemos viver sem olhá-la. Não podemos fechar os olhos, mas podemos torná-la alegre". Kazuo Ohno

"O corpo envelhece e morre, mas segue dançando com a Energia do Universo. A morte é um novo começo. E quando eu morrer, vou começar de novo dentro do universo, vou continuar dançando". Kazuo Ohno

"A poesia não é uma crença. Nem uma lógica. A
poesia é um ato. Um ato que nega todos os atos. Ai se dá no instante em que a sombra do sonho parece a sombra do poema". Tagiguchi Shuzô

"O início é o fim, o fim é o início". Kazuo Ohno

FONTE: http://alfarrabio2.blogspot.com/2008/03/exposio-kazuo_25.html

Lançada cartilha dos direitos ciganos

Lunes 31 de marzo de 2008
Alana Gandra, ABr

Material contém instruções sobre como reclamar direitos do povo cigano e conquistar cidadania

Rio de Janeiro - A Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH) da Presidência da República pretende levar a todos os acampamentos de ciganos do país a cartilha Povo Cigano - o Direito em Suas Mãos, lançada na semana passada em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Segundo o subsecretário de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos da SEDH, Perly Cipriano, é a primeira publicação que trata dos direitos dessa parcela da população no Brasil.

Em entrevista à Agência Brasil, Cipriano disse que a publicação deve ajudar a população cigana a conquistar a cidadania. “Por isso, é importante."

Escrita pela advogada Mirian Stanescon Batuli, cigana do clã Kalderash, a cartilha abrange 29 reivindicações apresentadas nas Conferências de Direitos Humanos e de Promoção da Igualdade Racial, realizadas em 2004 e 2005, respectivamente. “São demandas ciganas”, explicou o subsecretário.

Além de abordar os direitos do povo cigano, a publicação informa como reclamar vários deles direitos, como aposentadoria, saúde, segurança e educação, entre outros. A cartilha também traz orientação sobre como proceder nos casos de discriminação e preconceito contra ciganos.

Outro ponto destacado por Perly Cipriano são as orientações sobre a organização de uma rede de proteção aos ciganos. Constam ainda da publicação informações sobre as atividades comemorativas do Dia Nacional do Cigano (24 de maio). De acordo com Cipriano, o Brasil tem uma das maiores concentrações de ciganos do mundo. “Já tivemos até um presidente da República cigano, que foi Juscelino Kubitschek, e pessoas como [a poetisa] Cecília Meirelles, que era cigana. Então, precisamos trabalhar muito para divulgar a cultura desse povo e quebrar os preconceitos. A cartilha ajuda nisso, na afirmação de sua cultura e seus valores. E que eles conheçam seus direitos, para que possam reivindicá-los. É uma cartilha feita por uma cigana para os ciganos, atendendo às demandas dos ciganos nas conferências."

FONTE: http://www.ciranda.net/spip/article2330.html?lang=es

CirandaCiranda Internacional de Información Independiente
Para que otro mundo sea posible, es necesario reinventar la comunicación

COMEMORANDO A PRIMAVERA COM MARCELO ROQUE, E TEXTO SOBRE BALLET DE RAQUEL NUNES: O SARAU PARA TODOS É MULTIARTE E DANÇA...GLÓRIA KREINZ DIVULGA


Dança

Sob luzes invisíveis,
flutuam os corpos devagar;
para além do tempo,
do espaço,
e dos sonhos ...

Marcelo Roque


Dançando

Dança você,
dançamos nós,
e danço eu...
Sonhos visíveis,
pefumes e rosas,
corpos no espaço,
música de um Deus...

Glória kreinz

Breve história do ballet no Brasil
http://www.raquelballet.com.br
RAQUEL NUNES

Pode-se dizer que a história do balé no Brasil começou em 1927, com a vinda da bailarina russa Maria Oleneva para o Rio de Janeiro. Ela fundou a Escola de Danças Clássicas do Teatro Municipal, que se tornou o principal centro de formação de bailarinos no país.
Depois de Oleneva, vieram outros europeus, como o tcheco Vaslav Veltchek, que a partir de 1939 deu novo impulso ao balé no Brasil, como coreógrafo do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e organizador da escola de bailados da prefeitura paulistana. Mais tarde participou da fundação do Ballet do IV Centenário de São Paulo e no Rio de Janeiro fundou o Conjunto Coreográfico Brasileiro. Veltchek elaborou várias coreografias baseadas no folclore brasileiro, como Uirapuru, de Villa-Lobos, e Festa da roça, com música de José Siqueira.
Outro nome importante é o de Tatiana Leskova, que a partir de 1945 atuou no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, primeiro como bailarina e depois como mestre de balé e coreógrafa. Juntamente com Igor Schwezoff, participou em 1946 da formação do Balé da Juventude. As inovações do balé moderno foram trazidas ao Brasil em 1949 pelos Ballets des Champs-Elysées. Aqui ficou como mestre um de seus integrantes, Pierre Klimov. Eugênia Feodorova chegou ao Brasil em 1955, atuando como mestre de balé e coreógrafa do corpo de baile do Teatro Municipal. E em 1962 foi chamado para trabalhar no Rio de Janeiro o coreógrafo e maître-de-ballet William Dollar.
O balé contemporâneo desenvolveu-se com Nina Verchinina, ex-integrante do Ballet Russe du Colonel de Basil, que deu uma das mais decisivas contribuições à dança brasileira, com sua companhia particular. Outros nomes que sobressaíram foram os de Berta Rosanova, Sandra Diecken, David Dupré, Dennis Gray, Artur Ferreira e vários outros, como bailarinos ou como coreógrafos e divulgadores. Bailarinas brasileiras que se destacaram no exterior foram Márcia Haydée, Beatriz Consuelo, Ivonne Weyer e Eleonora Oliosi.
O Teatro Municipal de São Paulo possui uma grande escola, fundada em 1940 e oficializada em 1947. A Universidade Federal da Bahia, em Salvador, tem um curso de dança, agregado a sua Escola de Teatro. E são milhares os cursos independentes em todo o Brasil, sobretudo em São Paulo e no Rio Grande do Sul.
A técnica acadêmica do balé, como concebida hoje, é russa e resultou da fusão dos estilos italiano e francês. O estilo italiano desenvolveu-se acrobaticamente, caracterizando-se pelo allegro, movimentos vivos, angulosos, com certa rigidez. Os braços estendidos vigorosamente, a velocidade, a técnica, o virtuosismo são suas marcas. No estilo francês destacam-se a graça, a leveza, os movimentos arredondados, braços leves, o adagio.
Dessas duas escolas resultou uma fusão ideal no estilo russo do século XIX: a graça de uma e o virtuosismo da outra, aliados ao temperamento emotivo do povo russo. Os bailarinos russos fizeram uma síntese, tirando de cada uma o que tinha de melhor.

Entre as obras brasileiras de ballet que mais se destacaram, temos: Uirapuru, O Garatuja, O Descobrimento do Brasil, Maracatu de Chico Rei e Salamanca do Jarau.


Fonte: www.emdiv.com.br

entre sem bater

a superficialidade da Internet me move
entro aqui e leio um parágrafo
entro lá e leio duas linhas
listo coisas pra escrever aqui
lembro dos poetas sem casa
dos artistas sem terra
dos blogueiros sem teto
e sem portas
penso na escrita automática de Lispector
que ainda nem li, está lá no desktop,
desktop lispector...
tento ficar longe dos blogs uma semana
só uma que seja,mas não...virou vício
blogólatra! blog dependente...
e todos os amigos "virtuais" 
sem portas, sem lares reais
aqui caminham em direção a não sei o que!
viagem virgem, 
viagem que precisa de teclados e mouses
e conversas com monitores,
com editores de textos, 
com códigos HTMLs...
se teclo aqui agora...é direto...
os HTMLs me respondem...
blogueiro sem portas sentam e teclam
pra um dia habitarem "os" universo...
unir versos dos poetas sem lar,
dos artistas nômades,
dos guerrilheiros com mouse 
ou sem fios
dos ciber ciganos
que já eram ciber e não sabiam
e se virarmos tese de mestrado 
ou coisa parecida
não importa...os amigos ficarão 
para sempre em meu disco rígido 
ou no pen drive 
que levarei na mochila.


Nadia Stabile - 30/09/09

INVESTIGADORES DA ONU CONCLUEM: ISRAEL MASSACROU CIVIS EM GAZA

Os genocídios e atrocidades perpetrados por Israel durante sua campanha de intimidação dos palestinos em dezembro/2008 e janeiro/2009 foram veementemente condenados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, em relatório divulgado nesta terça-feira.

Segundo o documento, a ofensiva de Israel foi direcionada contra "o povo de Gaza em conjunto", configurando "uma política de castigo".

Mais: "Israel não adotou as precauções requeridas pelo direito internacional para limitar o número de civis mortos ou feridos nem os danos materiais".

Portanto, o estado judeu "cometeu crimes de guerra e, possivelmente, contra a humanidade".

Segundo o juiz sul-africano Richard Goldstone, que presidiu a missão de investigação da ONU, foram analisados 36 episódios ocorridos em Gaza, entre eles "alguns nos quais as forças armadas israelenses lançaram ataques diretos contra civis, com consequências letais".

Pior ainda, os militares judeus recorreram exatamente às mesmas práticas que seu povo tanto deplorava nos nazistas: "Outros incidentes que detalhamos se referem ao emprego pelas forças israelenses de escudos humanos, em violação de uma sentença anterior do Tribunal Supremo israelense que proibiu essa conduta".

Ou seja, é tão comum os israelenses servirem-se de seres humanos como escudos que seu principal tribunal já impugnou esta infamia, em vão!

É claro que os fanáticos do Hamas também são recriminados, mas a missão constatou a extrema desproporção entre os ataques sofridos por Israel e a forma avassaladora como reagiu. Foi o que Goldstone explicou à imprensa:
"O ataque contra a única fábrica que seguia produzindo farinha, a destruição da maior parte da produção de ovos em Gaza, a destruição com escavadeiras de enormes superfícies de terra agrícola e o bombardeio de 200 fábricas, não podem ser justificados de nenhuma maneira com razões militares. Esses ataques não tiveram nada a ver com o disparo de foguetes e morteiros contra Israel".
A missão recomendou à Assembleia Geral da ONU que promova uma discussão urgente sobre o emprego do fósforo branco, que foi usado indiscriminadamente pelos israelenses contra a população civil de Gaza. A utilização militar do fósforo branco é proibida tanto pela Convenção de Genebra quanto pela Convenção de Armas Químicas.

E quem esperava do governo de Barack Obama uma postura menos aberrante no conflito do Oriente médio se decepcionou. Além de Israel, os Estados Unidos foram o único país a rejeitar o relatório, com uma justificativa que seria cômica se não fosse trágica, verbalizada por Michael Posner, secretário de Estado adjunto para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho:
"Não se pode fazer equivalência moral entre Israel, um Estado democrático com direito à autodefesa, e o grupo terrorista Hamas, que respondeu à retirada israelense de Gaza aterrorizando os civis no sul de Israel".
A verdadeira diferença entre as partes desse conflito é bem outra, conforme se deprende deste levantamento de um grupo israelense de direitos humanos, o B'Tselem: 1.387 palestinos foram assassinados em Gaza, 773 (55,7%) dos quais eram civis. Enquanto isso, as baixas israelenses se limitaram a dez militares e três civis.

Ou seja, para cada israelense morto, mais de cem palestinos tombaram.

Uma proporção que também nada fica a dever às retaliações nazistas.

MINHA CIDADE - JOANA D'ARC

Cidade mistério onde à noite
É misto de urgia e tristeza
De gente com raça e sem nome
Que ornamenta sua inigualável beleza

De ruas escuras e arredias
que brota do asfalto a esperança
De um povo de fé e ousadia
que luta pela vida com perseverança

deslumbrantes em suas esquinas
sobre um mar de asfalto sem areia
onde num céu nublado e sem estrelas
desfilam meninas-sereia

enquanto no colorido dos sinais
entre travestis, buzinas e poluição
surge trombadinhas e mulheres fatais
crianças abandonadas e contrafação

desordenada cresce a cada instante
e desfiando a geografia e a natureza
sempre acolhedora e aconchegante
sem perder a imponência e a beleza

esta é a cidade que eu amo com paixão
mãe dos filhos de todas as nações
moderna e sempre em evolução
São Paulo do Brasil o coração

terça-feira, 29 de setembro de 2009

POETANDO - JOANA D'ARC


Fazer poesia
É jogar para o papel
Palavras que morrem na garganta
E eclodir a alma
enquanto o coração cala
E o sofrimento embala
As mais remotas ilusões

O COMPROMISSO DOS REVOLUCIONÁRIOS COM A CIVILIZAÇÃO

Ao surgirem, tanto o marxismo quanto o anarquismo prometiam conduzir a humanidade a um estágio superior de civilização.

A proposta de ambos era a de um melhor aproveitamento do potencial produtivo existente, direcionando-o para a promoção da felicidade coletiva, ao invés de desperdiçá-lo em desigualdade e parasitismo.

A hipótese anarquista nunca foi testada: não houve país em que cidadãos livres organizassem a economia e a sociedade sem a tutela do estado.

A hipótese marxista não foi testada da forma como seus enunciadores previam: em países cujas forças produtivas estivessem plenamente desenvolvidas.

Nas duas nações que realmente contam, a revolução teve de cumprir uma etapa anterior, qual seja a de acumulação primitiva do capital, já que se tratava de países ainda desprovidos da infra-estrutura básica para uma economia moderna.

Acabaram tendo de exigir esforços extremos dos trabalhadores; e, como eles não se dispunham livremente a isto, a URSS e a China, cedendo ao imperativo da sobrevivência, coagiram-nos a dar essa quota de sacrifício.

Ou seja, tornaram-se tiranias. Uma mais brutal e assassina, a stalinista. A outra mais messiânica e fanática, a maoísta.

Sobreviveram exatamente até cumprirem a função por elas assumida, de trazer países atrasados até o século XX. A partir daí, entretanto, passaram a emperrar as forças produtivas, ao invés de as deslanchar.

O socialismo real da União Soviética e satélites caiu de podre na década de 1980, com as nações voltando ao capitalismo.

O maoísmo tentou ainda resistir aos ventos de mudança com a revolução cultural, em vão. Depois de uma luta travada na cúpula, sobreveio o pior dos mundos possíveis, um amálgama de capitalismo de estado na economia e ditadura do partido único na política.

De 1989 para cá não surgiu uma proposta revolucionária alternativa, capaz de vingar nos países economicamente mais desenvolvidos - aqueles que, segundo Marx, traçam o caminho que depois é seguido por todos os outros.

Inexiste hoje uma estratégia que contemple a concretização simultânea das três bandeiras principais do marxismo e do anarquismo: a promoção da justiça social, o estabelecimento da liberdade plena e o incremento da civilização.

Unir essas três pontas soltas, na teoria e na prática, é nossa principal tarefa no século XXI.

FLERTANDO COM O APOCALÍPSE

Até lá, devemos esforçar-nos para, pelo menos, não nos tornarmos agentes da tirania e da barbárie.

O capitalismo globalizado é tão decadente, putrefato e destrutivo quanto a escravidão nos estertores do Império Romano. Já não oferece valor positivo nenhum à sociedade, só os negativos.

É mais um motivo para não nos comportarmos como a imagem invertida de nossos inimigos.

Se a indústria cultural deles se tornou totalmente parcial e tendenciosa, não é justificativa para substituirmos a reflexão pela propaganda em nossos meios de comunicação, endeusando líderes, exagerando acertos e minimizando/escondendo erros.

A imprensa burguesa se desacredita e desmoraliza a olhos vistos. Temos de ocupar esse espaço vazio, mostrando-nos capazes de cumprir melhor as três funções do jornalismo: informar, formar e opinar.

E não deixarmos que a função opinativa impregne tudo e determine o conteúdo das outras duas. Se eles nâo dispõem mais de credibilidade, só teremos a ganhar zelando religiosamente pela nossa.

E não é qualquer forma de luta que nos serve, como serve para eles.

Os EUA não hesitaram em fazer do povo japonês uma cobaia dos efeitos de petardos atômicos, detonando-os para, principalmente, servirem como efeito-demonstração: queriam intimidar Stalin. Para forçar a rendição japonesa, hoje está mais do que provado, os holocaustos de Hiroshima e Nagasaki não eram necessários.

Se houve uma verdadeira lição desses episódios terríveis, é a de que nunca mais as armas atômicas devem ser utilizadas, contra ninguém, absolutamente ninguém!

Então, por piores que sejam as atrocidades cometidas por Israel, ainda assim não há hipótese em que verdadeiros revolucionários possam defender projetos nucleares, mesmo estando direcionados contra o estado judeu.

Até porque, como será impossível evitar a retaliação, o que está em jogo é a destruição simultânea de dois países e seus povos, afora os efeitos devastadores sobre as nações vizinhas e seus povos.

Quanto ao equilíbrio do terror - a tese de que, se nações inimigas possuírem armas nucleares, nenhuma as ousará disparar -, foi exatamente a que quase levou à destruição da humanidade em 1962.

Pois, por nela acreditarem, os cientistas responsáveis pela bomba estadunidense vazaram o know-how para os soviéticos.

Como consequência, na crise dos mísseis cubanos estivemos a um passo de uma guerra atômica que, provavelmente, teria extinto a espécie humana. Fomos buscar a salvação na bacia das almas.

Nem meio século se passou e já admitimos flertar de novo com o apocalípse?!

Ao invés do equilíbrio do terror, a opção mais sensata é limitarmos o ingresso de nações instáveis no clube atômico.

Mesmo porque, quanto mais países dispuserem de armas nucleares, maiores as chances de que sejam utilizadas.

Pensadores como Norman O. Brown veem o capitalismo, em última análise, como um instrumento cego da destruição da humanidade. Isto se torna bem plausível se considerarmos, p. ex., as alterações climáticas e a devastação de recursos naturais essenciais à nossa sobrevivência.

Para nós, os empenhados na construção de um mundo melhor, o desafio é evitarmos que o enterro do capitalismo seja também o da espécie humana.

Até quando/



Boa mensagem.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

NOTÍCIAS ABRADIC - N° 100 - Setembro de 2009 - PARABÉNS ABRADIC - NJR PELO 100º BOLETIM (clique aqui para ler o boletim)





NOTÍCIAS ABRADIC - N° 100 - Setembro de 2009
Nesta edição:
A Cátedra Unesco NJR ECA-USP e a Escola de São Paulo lançam livros com sucesso
Glória Kreinz

Divulgação Científica no Séc. XXI:
Poeta do Orkut - Marcelo Roque - "Hubble"

Médicos da USP corrigem estenose de traqueia ainda durante a infância
Yuri Gonzaga

A Linguagem do Videogame
Leandro Stein

Notícia em Movimento
Homenagem aos 70 anos da morte de Freud
Marcelo Roque, Mariana Queen Nwabasili e Secos e Molhados

O uso da imagem na divulgação científica: Os Cientistas
João Garcia





A equipe NJR comemora junto com os seus leitores a centésima edição do boletim "Notícias Abradic"
A Cátedra Unesco NJR ECA-USP e a Escola de São Paulo lançam livros com sucesso
Glória Kreinz

Mauro Wilton de Souza, diretor da ECA/USP, professores, alunos, convidados e um público diverso, participaram no dia 1º de setembro, às 18 horas, no Departamento de Jornalismo e Editoração, do lançamento de quatro livros pela Escola de São Paulo de Estudos Comunicacionais, entre eles o Dicionário da Comunicação, que tem Ciro Marcondes Filho como organizador.

Na primeira página do Dicionário da Comunicação o prof. Ciro Marcondes Filho faz um agradecimento aos colaboradores, dizendo:

“Aos amigos e colaboradores da Escola de São Paulo, que durante duas décadas me acompanharam nesta caminhada em busca de uma definição da comunicação e na proposição de um procedimento investigativo que se constrói e se atualiza a cada nova pesquisa”.

Em outro livro lançado no mesmo evento, Divulgação Científica: Olhares, Vol. XII da Coleção Divulgação Científica do NJR-ECA/USP, que sedia a Cátedra UNESCO NJR/ECA/USP, há um esclarecimento do que seja a Escola de São Paulo, e também os integrantes de suas diversas fases. Os artigos escritos por Ciro Marcondes Filho e Glória Kreinz elucidam etapas do desenvolvimento da Escola de São Paulo, e sua história, da qual faz parte o Filocom e os projetos desenvolvidos no campo da filosofia e comunicação por parte do prof. Ciro Marcondes Filho.

Divulgação Científica, Olhares tenta sistematizar posturas, em nome do avanço da divulgação científica brasileira. Os organizadores foram Glória Kreinz, Ciro Marcondes Filho e Crodowaldo Pavan, in memorian. O depoimento de Célio da Cunha por ocasião da morte de Pavan é um dos pontos relevantes.

Mais dois livros de autoria de Ciro Marcondes Filho, também lançados, foram: Ser Jornalista- A Língua como Barbárie e a Notícia como Mercadoria, Vol. 1; e Ser Jornalista- O Desafio das Tecnologias e o Fim das Ilusões, Vol. 2. Estas produções consolidam a produção da Cátedra UNESCO NJR/ECA/USP, na comunicação/divulgação científica como área de conhecimento.

"FÊNIX" - NOVO BLOG DE WALDER MAIA DO CARMO SOBRE CÉLULAS-TRONCO (clique aqui ou clique nos links para ler)

http://fenix-zaratustra.blogspot.com/

POLANSKI É VÍTIMA DO DESPEITO DOS LILIPUTIANOS

Continuo inconformado com a pequenez das autoridades estadunidenses e suíças, ao perseguirem o grande Roman Polanski por um caso que não era sólido e já se desmanchou no ar.

Ainda mais depois de ter sido informado, pelo ótimo Rui Martins, que a bizarra prisão foi autorizada pela ministra da Justiça suíça, por coincidência pertencente a um partido de extrema-direita; que o suposto crime, para a maioria dos juristas, já prescreveu; e que a suposta vítima, já quarentona, retirou há alguns anos as acusações lançadas por sua família contra Polanski.

Pior ainda é o que se lê neste parágrafo do artigo semanal do Rui no Direto da Redação, Polanski e a submissão suíça:
"...Roman Polanski tem um chalé em Gstaad há muitos anos e nunca foi incomodado. Sua prisão ocorre alguns dias depois da assinatura de uma convenção bilateral suíço-americana, na qual a Suíça para salvar seu banco UBS fraudulento decidiu, é o que deduz, se submeter a tudo, inclusive a fazer o papel mercenário da busca de pessoas procuradas por delitos mesmo prescritos nos EUA".
É tudo muito sórdido! Faz lembrar as perseguições macartistas, o despeito/rancor mal dissimulado contra os seres humanos mais idealistas e talentosos.

Penso na vida de Polanski, tão sofrida.

Ter passado a meninice fugindo e escondendo-se dos nazistas, enquanto a mãe morria num campo de concentração.

Haver sido privado, pelos psicopatas da Família Manson, não só da companheira com a qual formava um casal perfeito, Sharon Tate, como também da criança que ela gerava.

Sofrer campanhas difamatórias dos jecas e fanáticos religiosos em razão do seu O Bebê de Rosemary parecer celebrar o advento do reino de Satã (o que nunca foi sua intenção, nem a de Ira Levin, autor do livro que deu origem ao filme, A Semente do Diabo).

Ser obrigado a deixar para sempre os EUA, estigmatizado por uma acusação preconceituosa.

Daí minha admiração por ele ter sempre conseguido dar a volta por cima, assimilando e transcendendo os golpes do destino.

Sua resposta foi proporcionar a todos nós, generosamente, horas inesquecíveis de diversão e reflexão.

É um dos principais cineastas da melhor década do cinema mundial, a de 1960. Foi quando realizou os primorosos A Faca na Água, Repulsa ao Sexo e Armadilha do Destino, além do clássico de terror O Bebê de Rosemary e da comédia de terror A Dança dos Vampiros.

Continuou, como diretor, alternando filmes mais densos e/ou sombrios (MacBeth, Quê?, Chinatown, O Inquilino, Lua de Fel, A Morte e a Donzela, O Último Portal, O Pianista) com entretenimento de qualidade (Tess, Piratas, Oliver Twist).

Além de registrar desempenhos marcantes como ator, não só nos próprios filmes, como em Uma Simples Formalidade (de Giuseppe Tornatore, sua melhor atuação) e A Vingança (de Andrzej Wajda).

Que benefício à sociedade trará seu encarceramento? Por que infligir tal penar a um homem flagrantemente inofensivo, que, ademais, permanece produtivo e criativo aos 76 anos?

Tentando compreender o que leva esses liliputianos dos podres poderes a perseguirem de forma tão encarniçada os homens que lhes são imensamente superiores em tudo e por tudo, como Roman Polanski e Cesare Battisti, vêm-me à mente os versos de Geraldo Vandré em sua igualmente sofrida Canção da Despedida: "Um rei mal coroado/ Não queria/ O amor em seu reinado/ Pois sabia/ Não ia ser amado".

domingo, 27 de setembro de 2009

[MST] "Crescemos somente na ousadia" 25 anos do MST (1/3)

[MST] "Crescemos somente na ousadia 25 anos do MST" (2/3)

[MST] "Crescemos somente na ousadia" 25 anos do MST (3/3)

Vídeo feito em homenagem aos 25 anos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) a partir da Marcha Estadual Maria Cícera Neves, agosto de 2009. O filme apresenta depoimentos de parceiros e parceiras do movimento, imagens de momentos históricos de sua trajetória e também desta última marcha. Além disso, ele se propõe a refletir sobre a relação do MST com as questões urbanas.

http://www.mst.org.br/
http://passapalavra.info

Download em: http://www.sendspace.com/file/b60bsk

Partcipações (em ordem de aparição): Plínio de Arruda Sampaio (Presidente da Asssociação Brasileira de Reforma Agrária), João Bernardo (Professor e escritor português), Paulo Arantes (Professor de filosofia/USP), Iná Camargo Costa (Professora e crítica de arte) , Luis Beltrame (Militante do MST-SP), Tito (Militante da comuna Força Ativa), Crônica Mendes (Compositor e MC do grupo A Família), Alípio Freire (jornalista e ex-preso político), Catiara Mahin (Coletivo Kilombagem e MC do grupo Amandla), Beatriz Tone (Arquiteta do coletivo Usina), Fernando Anitelli (Integrante do grupo Teatro Mágico), Wellington Lopes (Militanteda comuna Força Ativa), Ermínia Maricato (Urbanista e professora da FAU/USP), José Mário Branco (Músico e compositor português), Pulguinha (Gaviôes da Fiel Rua São Jorge), GOG (Poeta e MC), Juliana Bonassa (Militantedo MST), Gilmar Mauro (Dirigente do MST), Leslie Loreto (Arquiteta do coletivo Usina), Pedro Arantes (Arquiteto do coletivo Usina), Kelli Mafort (Dirigente do MST), Iriel (Militante do MST), Gato Preto (Compositor e MC do grupo A Família).
Categoria: Notícias e política
Palavras-chave:
MST PASSAPALAVRA Crescemos somente na ousadia 25 anos

O CINEASTA POLANSKI É DETIDO POR EPISÓDIO DE 31 ANOS ATRÁS

Polanski contracenando com Sharon Tate no cult A Dança dos Vampiros. Casada com ele e grávida de 8 meses, Tate foi morta pela Família Manson.


Aos 76 anos de idade, o superlativo cineasta polonês Roman Polanski (Chinatown, Lua de Fel, O Pianista) acaba de ser detido na Suíça por causa de uma acusação de estupro pendente contra ele há mais de 30 anos.

Ao descer no aeroporto de Zurique para receber um prêmio do festival de cinema nela realizado, foi colocado em prisão provisória, à espera de extradição para os EUA.

Em 1977, os pais de uma adolescente de 13 anos acusaram Polanski de ter drogado e estuprado uma jovem modelo.

Polanski admitiu apenas ter mantido "relações sexuais ilegais" e, após 47 dias preso, foi libertado sob fiança.

Quando o juiz manifestou intenção de enviá-lo novamente à prisão, escapuliu para a Europa. Nunca mais pisou o solo estadunidense.

Pelo que valer, minha avaliação é a de que Polanski foi vítima do puritanismo hipócrita e repressivo dos EUA.

Não dá para aceitarmos que uma moça visitasse o quarto de um gorila como Mike Tyson, em plena madrugada, para conhecer sua coleção de borboletas.

Nem que uma modelo de 13 anos fosse deixada inadvertidamente desprotegida no promíscuo ambiente cinematográfico.

Apostaria até meu último centavo em que a piranha excitou Tyson e depois o rejeitou para provocar exatamente a reação que ele teve; que a relação com Polanski foi consentida; e que o objetivo último, em ambos os casos, era depenar ricas celebridades.

Qualquer pessoa informada sabe que há adolescentes de 13 anos capazes de rivalizar com Messalina. E Freud destruiu completamente o mito da inocência das crianças.

Deve, sim, ser vedada e punida a iniciação sexual de menores por parte de adultos, para evitarem-se os excessos e abusos que adviriam de um liberou geral.

Mas, para haver verdadeira justiça neste caso do Polanski, precisaria também ser provado o estupro.

Por que devemos acreditar cegamente nos pais da modelo, que, obviamente, poderiam estar tentando extorquir Polanski?

Quem garante que ela ainda fosse virgem?

Como provar que ela foi realmente drogada?

Só num país tão moralista (no pior sentido do termo) como os EUA alguém pode ser incriminado com base em acusações tão frágeis quanto as que foram assacadas contra Tyson e Polanski.

O pugilista - com o qual, vale dizer, não tenho a mais remota identificação como ser humano - nunca mais foi o mesmo. Entrou no presídio como campeão, saiu como saco de pancadas.

E, para suavizar a pena, acabou sendo obrigado a indenizar a piranha. Esta obteve, afinal, o michê que Tyson deve ter-lhe negado naquela noite. Ela foi buscá-lo nos tribunais.

Polanski corre o risco de morrer na prisão por conta de um episódio extremamente discutível, que exala o cheiro inconfundível de arapuca.

De resto, até no caso de um indivíduo tão abominável como o Brilhante Ustra, meus sentimentos humanitários se rebelam ante a hipótese de enviar-se um ancião para o cárcere por delitos longínquos e quando já não oferece perigo de reincidir nos crimes dos quais o acusam. Ninguém merece expirar numa prisão. Ninguém!

Polanski tem, sim, uma grande e incontestável culpa: a de ter ido na conversa de advogados, admitindo as tais "relações sexuais ilegais".

Ele as considerava ilegais no momento em que as mantinha? Duvido. Então, não deveria ter, oportunisticamente, pagado esse preço para esperar o julgamento em liberdade.

Eu diria que ele está sendo perseguido por algo que não fez, mas pagará pelo que fez: a concessão humilhante à farisaica justiça estadunidense.

Mesmo assim, sou absolutamente contrário a mais este ato de desumanidade.

P.S.: o sempre atento Rui Martins informa que, além do suposto crime já estar prescrito, a suposta vítima há anos retirou a queixa apresentada por sua família contra Polanski.

O VERDADEIRO NAMORO

escrevo agora o que aprendi com um grande professor:
"o verdadeiro namoro é aquele que tem grandes melações,mas também grandes repulsas!"


O Professor e Nadia Stabile - 27/09/09

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

OLHOS AZUIS

CONTRA A REPRESSÃO E À FAVOR DOS DEFENSORES
DA LIBERDADE E DEMOCRACIA EM HONDURAS, E
EM TODA A AMÉRICA LATINA !!!




Se você têm um fuzil
eu tenho a palavra
se sua bala é de chumbo
a minha é de menta
se você têm a resposta
eu tenho as perguntas
se você vêm com dinheiro
eu rasgo meus bolsos
se sua luta têm dono
a minha é de todos
se o seu sapato é de couro
o meu, alpargatas
se você dorme e sonha
eu sonho e acordo
se há diplomas em suas paredes
tenho janelas nas minhas
se você segue a cartilha
eu escrevo um livro
se você reza em latim
eu agradeço em esperanto
se deus está contigo
eu me contento com a fé
e se o seu céu é azul
azuis, são os meus olhos

Marcelo Roque

Zucchero - Baila Morena

LAURA PAUSINI -

RETORNO DA PRIMAVERA - JOANA D'ARC




No mar as ondas estão a marulhar
Que a primavera acaba de chegar
é hora dos poetas se inspirar
E a lua mais forte brilhar

o vento com cumplicidade
entoa um suave acalanto
e a noite na mais pura quietude
deixa a lua espalhar seu encanto

Nos jardins as cores se multiplicam
e numa sincronia harmoniosa
borboletas dançarinas se revezam
sempre coloridas e graciosas

e incansáveis por toda a noite
as abelhas sempre unidas
fabricam mel a cada instante
sempre barulhentas e divertidas

mariposas voam sem cessar
parecendo querer alcançar
as estrelas que piscam sem parar
como se quisessem o mar conquistar

com o prateado do luar
a paisagem se torna singela
navios deslizam no mar
compondo a aquarela

e com os olhos do coração
os pintores preparam sua tela
sempre em prontidão
tornando a estação mais bela

este blog,a primavera,os pássaros, os platôs,metáporos,Shakespeare e os transes...

E Glória comenta :
"OnDE estamos, de que se trata, inquisição, Galileu,metáporos?...Que importa o nome? A rosa teria o mesmo perfume...W.Shakespeare? Vc esteve mesmo comigo no meu sonho? como sempre.?..rsrs...nem Romeu e Julieta assim...e lá fora um sol flamejante arde em mim...rsrs...

Nunca fui em lugar nenhum, nunca estive em lugar algum...nasci da luz dos olhos seus...

BEIJOS SARAU PARA TODOS...POETA DESTE BLOG EM TRANSE..." Glória Kreinz

 >>> "...e o transe das flores...
lhes dão perfumes inexoráveis!!!
e Glória e o sol e Shakespeare e Marcelo Roque...
e Walder,e Vania...e todo mundo...
e as poesias de Joana...e os escritos de Cristóvão...
as fotos de ECNICALEBRIC
e as visitas de FELLINI? ...e os artigos de Celso...
e os perfumes inexoráveis de todos...
e os terrores que existem
e os monopólios
e a soja ,o arroz, o trigo...
flores não comem soja e nem nada da Monsanto!?
e nem sabem o que é a América Latina e o mundo.
inexoráveis perfumam o mundo!
mas perfumariam muito mais se..."

Nadia Stanile - 25/09/09

E GLÓRIA CONTINUA:

PERFUMARIAM MUITO MAIS
SE VIESSEM PARA AS RUAS
PALCO E DEMOCRACIA,
ONDE O SARAU PARA TODOS,
FAZ COMUNICAÇÃO/GUERRILHA
JUNTOS,DE MÃOS DADAS,
COMO QUERIA DRUMMOND,
A ROSA E A GRANADA NAS MÃOS,
NOSSO CANTO CONTINUA...

Glória Kreinz

Seminário Post-it City - cidades ocasionais (clique aqui)


De 24 a 26 de setembro acontece o Seminário Post-it City - cidades ocasionais, a ser realizado no Centro Cultural São Paulo (Rua Vergueiro, 1000). O projeto Post-it city, que tem a curadoria de Martí Peran, mapeou formas de utilização ou ocupação temporária de espaços urbanos em diferentes cidades do mundo. Por meio de vídeos, reproduções fotográficas, textos, mapas e plantas, são revelados os conflitos que permeiam as relações entre o público e o privado. Conflitos que muitas vezes geram ações e ocupações inusitadas. Leia mais...http://www.forumpermanente.org/.event_pres/simp_sem/seminario-post-it-cities/home/

Em São Paulo, a exposição (abertura no dia 26, às 15h) será acompanhada de um seminário que pretende fomentar a discussão sobre o espaço público, entrecruzando alguns estudos de caso de “urbanismo provisório” expostos na mostra Post-it Cities e outras formas de aparições transitórias na cidade através da abordagem de artistas, arquitetos, urbanistas, historiadores e psicólogos. A idéia é promover uma discussão sobre as várias facetas do espaço urbano e público em suas dimensões físicas e imaginárias.
O Fórum Permanente; museus de arte: entre o público e o privado fará a transmissão on-line (ao vivo), diretamente pelo portal, das seguintes mesas:
24.09 - 19h às 21h - Cidade como espaço da alteridade. Formação do corpo social no urbanismo e na arte.
Participantes: Louise Ganz (artista plástica e arquiteta - Brasil), David Sperling (arquiteto - Brasil), Amílcar Packer (artista plástico - Brasil). Mediadora: Débora Bolsoni (artista plástica e curadora educativa do CCSP - Brasil)

25.09 - 19h às 21h - Gradações entre o formal e o informal: escutas no espaço público.
Jorge Jiménez (filósofo - Costa Rica), Pio Torrojas (arquiteto - Argentina), Cida Davoli (psicodramatista - Brasil), Jorge Mario Jarauegui (arquiteto e urbanista - Argentina). Mediadora: Débora Bolsoni (artista plástica e curadora educativa do CCSP - Brasil)

26.09 - 15h às 17h - Considerações sobre a exposição Post-it Cities a partir da pesquisa em rede desenvolvida na Argentina, Chile e Brasil
Martí Peran (curador independente -Espanha), Paola Salaberri (arquiteta - Argentina), Pablo Brugnoli (arquiteto - Chile), Pedro M. R. Sales (arquiteto -Brasil). Mediador: Martin Grossmann (diretor geral do CCSP - Brasil).

Observação: caso ocorra algum problema com a transmissão on-line, devido às ocilações na internet, todos os vídeos estarão sendo gravados e, posteriormente, serão disponibilizados no site do Fórum Permanente; museus de arte: entre o público e o privado.

EDUCAÇÃO PROFISSIONAL - Haddad destaca a evolução das escolas em número e qualidade

Quarta-feira, 23 de setembro de 2009 - 20:13
 
Ao celebrar nesta quarta-feira, 23, o centenário da educação profissional brasileira, o ministro da Educação, Fernando Haddad, apresentou, em rede nacional de rádio e televisão, a evolução do número de escolas, sua distribuição pelo país e o papel que desempenham.

Em 1909, disse Haddad, o presidente da República Nilo Peçanha criou as 19 primeiras escolas técnicas federais. Nos cem anos seguintes, governos sucessivos chegaram a 140 escolas. Nos últimos sete anos, de 2003 a 2009, “o governo federal transformou o cenário do ensino técnico profissional” com a criação de 87 novas escolas que já estão em funcionamento.

E tem mais, disse o ministro. Estão em construção 127 escolas com investimentos que superam R$ 1 bilhão. Isso permitirá que, ao final de 2010, o Brasil tenha 354 escolas de educação profissional e 500 mil alunos. A outra novidade foi a criação dos 38 institutos de educação, ciência e tecnologia que são responsáveis pela coordenação de toda a rede.

Haddad destacou que, além de mais escolas e mais cursos é importante a diversidade na oferta de formação: a rede federal de educação profissional e tecnológica oferece cursos técnicos de nível médio, cursos superiores de tecnologia e licenciaturas em ciências e matemática. “Celebramos uma verdadeira transformação no ensino técnico e profissional”, disse Haddad.

Assista aqui o pronunciamento na íntegra.

Assessoria de Comunicação Social

Leia mais...
Institutos oferecem ensino de primeiro mundo, afirma Haddad
 
http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=14362:haddad-destaca-a-evolucao-das-escolas-em-numero-e-qualidade&catid=209

Haddad visita projeto de escola a céu aberto em Diadema


Sexta-feira, 25/09/2009 - 07:14
São Paulo - O Programa Diadema Mais Educação será lançado hoje (25), às 15h, no município paulista, com a presença do ministro Fernando Haddad e do prefeito da cidade, Mário Reali. Desenvolvido em parceria com o governo federal, o programa prevê educação em tempo integral para alunos da rede municipal. A cerimônia de lançamento será no Circo Escola Diadema.

O programa beneficiará, na primeira etapa, 2,4 mil crianças de 6 e 7 anos, de dez escolas, que passarão a ter jornada diária de sete horas, com almoço nas unidades. Além do ensino regular em sala de aula, os estudantes terão atividades culturais (teatro, dança, hip hop), esportivas (natação, futebol, basquete), ambientais (Agenda 21 Escolar e hortas) e de lazer (recreação), além de acompanhamento pedagógico. 
 

"América Latina é hoje o lugar mais estimulante do mundo" (Amiga Valentina envia) (clique aqui e leia na íntegra)


23/09/09
Em entrevista ao La Jornada, Noam Chomsky fala sobre a América Latina, definindo-a como uma das únicas regiões do mundo onde há uma resistência real ao poder do império. "Pela primeira vez em 500 anos há movimentos rumo a uma verdadeira independência e separação do mundo imperial. Países que historicamente estiveram separados estão começando a se integrar. Esta integração é um pré-requisito para a independência. Historicamente, os EUA derrubaram um governo após outro; agora já não podem fazê-lo", diz Chomsky.
A América Latina é hoje o lugar mais estimulante do mundo, diz Noam Chomsky. Há aqui uma resistência real ao império; não existem muitas regiões das quais se possa dizer o mesmo. Entrevistado pelo La Jornada, um dos intelectuais dissidentes mais relevantes de nossos tempos assinala que a esperança e a mudança anunciada por Barack Obama é uma ilusão, já que são as instituições e não os indivíduos que determinam o rumo da política. Em última instância, o que Obama representa, para Chomsky, é um giro da extrema direita rumo ao centro da política tradicional dos Estados Unidos.

Presente no México para celebrar os 25 anos de La Jornada, o autor de mais de cem livros, lingüista, crítico antiimperialista, analista do papel desempenhado pelos meios de comunicação na fabricação do consenso, explica como a guerra às drogas iniciou nos EUA como parte de uma ofensiva conservadora contra a revolução cultural e a oposição à invasão do Vietnã. Apresentamos a seguir a íntegra das declarações de Chomsky ao La Jornada:

A América Latina é hoje o lugar mais estimulante do mundo. Pela primeira vez em 500 anos há movimentos rumo a uma verdadeira independência e separação do mundo imperial. Países que historicamente estiveram separados estão começando a se integrar. Esta integração é um pré-requisito para a independência. Historicamente, os EUA derrubaram um governo após outro; agora já não podem fazê-lo.

O Brasil é um exemplo interessante. No princípio dos anos 60, os programas de (João) Goulart não eram tão diferentes dos de Lula. Naquele caso, o governo de Kennedy organizou um golpe de Estado militar. Assim, o estado de segurança nacional se propagou por toda a região como uma praga. Hoje em dia, Lula é o cara bom, ao qual procuram tratar bem, em reação aos governos mais militantes na região. Nos EUA, não se publicam os comentários favoráveis de Lula a Chavez ou a Evo Morales. Eles silenciados porque não são o modelo.(...)

 LEIA NA ÍNTEGRA EM:
FONTE :  http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16160&boletim_id=594&componente_id=10006

teorias e práticas

alguns conhecem teorias a fundo
outros sempre estiveram na prática.
um ex metalúrgico precisou de teorias
de grandes homens,para virar presidente.
e hoje não há teoria que consiga explicar
as práticas deste presidente!
ou há !?
só sei que quem lê demais não tem tempo
de colocar as mãos na massa...
ou quem lê demais a vida,
vira poeta dos bons...
ou ainda...quem não lê nada,
não consegue ir adiante!
estas "escolas" que temos,
não servem nem para a prática,
nem para a teoria.
como dizia Paulo Freire,
aprendizagem não tem nada a ver com "ensinagem".

Nadia Stabile - 25/09/09

...o fazer das mãos

mãos conversam com argila,
conversam com pincéis e tintas
brigam com grafites e canetas
páginas em branco gritam
goivas ameaçam as mãos de quem as tocam,
artistas plásticos sabem bem que os materiais
tem vida,como também...os artesãos,os marceneiros,
as cozinheiras...os torneiros mecânicos...
mesmo utilizando máquinas para ajudar as mãos,
mesmo assim eles sabem pela prática do dia a dia,
que os materiais com seus limites, suas teimosias,
e suas qualidades,encaminham o processo, e lógico o produto final!
Marx sabia bem disso,certa vez li um livro
sobre materialismo dialético na arte,
e achei extraordinário encontrar a explicação
desta coisa incrível !! o fazer !!

Nadia Stabile - 25/09/09

* o livro chamava-se "Marx e Picasso",
livro antigo e que nunca mais
encontrei,não me lembro o nome do autor.

"Os Inconfidentes" - Cecília Meireles

Toda vez que um justo grita
Um carrasco o vem calar
Quem não presta fica vivo
Quem é bom, mandam matar
Quem não presta fica vivo
Quem é bom, mandam matar

Foi trabalhar para todos
E vede o que lhe acontece
Daqueles a quem servia
Já nenhum mais o conhece
Quando a desgraça é profunda
Que amigo se compadece?

Foi trabalhar para todos
Mas, por ele, quem trabalha?
Tombado fica seu corpo
Nessa esquisita batalha
Suas ações e seu nome
Por onde a glória os espalha?

Por aqui passava um homem
(E como o povo se ria!)
Que reformava este mundo
De cima da montaria
Por aqui passava um homem
(E como o povo se ria!)
Ele na frente falava
E atrás a sorte corria

Por aqui passava um homem
(E como o povo se ria!)
Liberdade ainda que tarde
Nos prometia

Sobre o(a) autor(a):
A obra da poetisa carioca é considerada atemporal por abranger diversas escolas dentre as quais destacam-se o modernismo, o simbolismo e técnicas do realismo.
Texto recolhido por Chico Buarque de "Romancerio da Inconfidência", publicado por Cecília em 53

FONTE : http://www2.tvcultura.com.br/provocacoes/poesia.asp?poesiaid=619

RESÍDUO - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE (esta poesia faz com que me lembre de um grande amigo que partiu,restou muito deste amigo em mim)

De tudo ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco.

Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).

Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.

Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
― vazio ― de cigarros, ficou um pouco.

Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.

Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.

Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?

Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil...
De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver... de aspirina.
De tudo ficou um pouco.

E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.

Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.

http://www.algumapoesia.com.br/drummond/drummond39.htm

O ABC da Mídia Tática



O manifesto inicial da Mídia Tática


O ABC da Mídia Tática
Por David Garcia e Geert Lovink

Mídias Táticas são o que acontece quando mídias baratas tipo 'faça você mesmo', tornadas possíveis pela revolução na eletrônica de c que qualquer coisa as separa das mídias dominantes.
Uma ética e uma estética distintiva que tem emergido, a qual é culturalmente influenciada pela MTV através das recentes obras em vídeo feitas por artistas. Começou como uma estética rápida e suja que, embora sendo só um outro estilo (ao menos em sua forma videográfica) tem vindo a simbolizar um verité para os anos 90.
Mídias táticas são mídias de crise, crítica e oposição. Esta é tanto a fonte de seu poder ("a raiva é uma energia": John Lydon), como a sua limitação. Seus heróis típicos são; o ativista, guerreiros de mídia nômades, o prankster, o hacker, o rapper de rua, o kamikaze de câmera de vídeo, eles são os alegres negativos, sempre à procura de um inimigo. Mas, uma vez que o inimigo tenha sido nomeado e vencido, é ao militante tático que ocorre entrar em crise. Logo (apesar de suas conquistas), fica fácil troçar dele com expressões típicas da direita, "politicamente correto", "cultura de vítima", etc. Mais teoricamente, as políticas de identidade, críticas midiáticas e teorias da representação, que viraram o fundamento da maior parte das mídias táticas ocidentais estão elas mesmas em crise. Estas formas de pensamento são largamente vistas como remanescentes críticos e repressivos de um humanismo antiquado.


Acreditar que questões de representação são agora irrelevantes é acreditar que as chances de grupos e indivíduos na vida real mesmo ainda não são crucialmente afetadas pelas imagens em circulação de que qualquer sociedade dada dispõe. E o fato de que nós não mais vemos a mídia de massas como a única e centralizada fonte de nossas próprias definições pode tornar estas questões mais escorregadias, mas isso não as torna redundantes.

Mídia Tática, uma forma qualificada de humanismo. Um antídoto útil para aquilo que Peter Lamborn Wilson descreveu como "o inoponível domínio do dinheiro sobre os seres humanos". Mas também como um antídoto para as novas formas emergentes de cientificismo tecnocrático que sob a bandeira do pós-humanismo tendem a restringir discussões de uso humano e recepção social.

O que torna nossas mídias táticas? Em "A Invenção do Cotidiano", De Certeau analisou a cultura popular não como um "domínio de textos ou artefatos senão como um conjunto de práticas ou operações realizadas em estruturas textuais ou em forma de texto". Ele transferiu a ênfase das representações em si direto para os "usos" das representações. Em outras palavras, de que modo nós, como consumidores, usamos os textos e artefatos que nos rodeiam. E a resposta, ele sugeriu, era "taticamente". Isso quer dizer de formas muito mais criativas e rebeldes do que já tinha sido imaginado. Ele descreveu o processo de consumo como um conjunto de táticas pelas quais o fraco faz uso do forte. Ele caracterizou o usuário (um termo que ele preferiu a consumidor) rebelde como tático e o presumido produtor ( no qual ele inclui autores, educadores, curadores e revolucionários) como estratégico. Estabelecer esta dicotomia permitiu a ele produzir um vocabulário de táticas rico e complexo o bastante para equivaler a uma estética reconhecível e distinta. Uma estética existencial.

Uma estética da apropriação, do engano, da leitura, da fala, do passeio, da compra, do desejo. Truques engenhosos, a astúcia do caçador, manobras, situações polimórficas, descobertas prazerosas, tão poéticas quanto guerreiras.


O conhecimento dessa dicotomia tática/estratégica nos ajudou a nomear uma classe de produtores que parecem singularmente conscientes do valor destas inversões temporárias no fluxo do poder. E mais que resistir a estas rebeliões, fazem tudo que podem para amplificá-las. E na verdade fazem com que a criação de espaços, canais e plataformas para estas inversões seja fundamental para sua prática. Nós denominamos o seu (nosso) trabalho de mídia tática.


Mídias Táticas nunca são perfeitas, mas sempre em transformação, performativas e pragmáticas, envolvidas num contínuo processo de questionamento das premissas das canais com que elas trabalham. Isto requer a confiança de que o conteúdo pode sobreviver intacto enquanto viaja de interface para interface. Mas nunca devemos esquecer de que a mídia híbrida tem seu oposto, sua nêmesis, a Medialen Gesamtkunstwerk (1). O programa final para a Bauhaus eletrônica.


É claro que é muito mais cômodo aderir aos rituais clássicos da cena underground e alternativa. Mas mídias táticas estão baseadas num princípio de resposta flexível, de trabalho com diferentes coligações, sendo capaz de se mover entre as diferentes entidades na vasta paisagem midiática sem trair suas motivações originais. Mídias Táticas podem ser hedonistas, ou entusiasticamente eufóricas. Mesmo os hypes de moda tem seus usos. Mas é acima de tudo a mobilidade o que mais caracteriza o militante tático. O desejo e a capacidade de combinar ou pular de uma mídia para outra criando um contínuo suprimento de mutantes e híbridos. Cruzar fronteiras, conectando e religando uma variedade de disciplinas e sempre tirando total proveito dos livres espaços na mídia que estão continuamente aparecendo devido ao ritmo da mudança tecnológica e à regulação incerta.


Embora as mídias táticas incluam mídias alternativas, não estamos restritos a esta categoria. De fato, nós introduzimos o termo tático para romper e ir além das rígidas dicotomias que tem reatringido o pensamento nesta área por tanto tempo, dicotomias tais como amador vs. profissional, alternativo vs. popular. Mesmo privado vs. público.


Nossas formas híbridas são sempre provisórias. O que conta são as conexões temporárias que você é capaz de fazer. Aqui e agora, não algum vaporware ( 2)

prometido para o futuro. Mas o que possamos fazer no lugar com a mídia a que temos acesso. Aqui em Amsterdam nós temos acesso à tv local, cidades digitais e fortalezas de novas e velhas mídias. Em outros lugares eles podem ter teatro, demonstrações de rua, filme experimental, literatura, fotografia.


A mobilidade da mídia tática a conecta com um movimento mais amplo de cultura migratória. Adotada pelos proponentes do que Nie Ascherson descreveu como a estimulante pseudo-ciência do Nomadismo. "A raça humana mostra que seus expoentes estão entrando numa nova época de movimento e migração. Os sujeitos da história, antes fazendeiros estabelecidos e cidadãos, passaram a ser os migrantes, os refugiados, os gastarbeiters ( 3) , os que procuram asilo, os sem-teto urbanos".


Um exemplo característico do tático pode ser visto no trabalho do artista polonês Krzystof Wodiczko que percebe como as hordas de desalojados agora ocupam o espaço público das cidades: praças, parques, vãos de estações de trem que tinham antes sido desenhados por uma triunfante classe média para celebrar a conquista de seus novos direitos políticos e liberdades econômicas. Wodiczko acredita que estes espaços ocupados formam novas àgoras que deveriam ser usadas para sua determinação. "O artista", diz ele, "precisa aprender como operar como um sofista nômade numa pólis migratória".


Como outros taticistas de mídia migratórios, Wodiczko tem estudado as técnicas pelas quais os fracos se tornam mais fortes que os opressores, ao se dispersarem, ao não terem centro, ao se moverem rapidamente pelas paisagens midiáticas físicas ou virtuais. "O caçado deve descobrir a maneira de se tornar o caçador".


Mas o capital também está radicalmente desterritorializado. É por isso que nós apreciamos estar baseados numa edificação como De Waag, uma velha fortaleza no centro de Amsterdam. Nós alegremente aceitamos o paradoxo de *centros* de mídia tática. Assim como castelos no ar, precisamos de fortalezas de tijolos e argamassa, para resistir a um mundo de livres fluxos de capital nômade. Espaços para planejar e não só improvisar e a possibilidade de capitalizar sobre as vantagens adquiridas, têm sempre sido as prerrogativas das mídias "estratégicas". Como taticistas de mídia flexíveis, que não têm medo do poder, ficamos contentes ao utilizar esta abordagem para nós mesmos.


A cada poucos anos nós realizamos uma conferência Next 5 Minutes (Próximos Cinco Minutos) sobre mídia tática a nível mundial. Finalmente temos uma base (De Waag), da qual esperamos consolidar e seguir construindo a longo prazo. Vemos este edifício como um local para planejar evntos e encontros regulares, incluindo o próximo The Next 5 Minutes. Nós vemos o próximo The Next 5 Minutes (em janeiro de 1999), e as discussões que a ele conduzam, como parte de um movimento para criar um antídoto ao que Peter Lamborn Wilson descreveu como "o inoponível domínio do dinheiro sobre os seres humanos".


1. Obra de arte total midiática.
2. Software ainda não lançado no mercado, provavelmente em pesquisa.
3.Trabalhadores imigrantes, em alemão.
Tradução: Ricardo Rosas 

FONTE : http://www.midiaindependente.org/pt/red/2003/03/249849.shtml

INCONSCIENTE PARA DELEUZE & GUATTARI

Mil Platôs – Capitalismo e Esquizofrenia – Deleuze e Guattari

(...)Para Deleuze, o rizoma é inter-relação entre os conceitos. O rizoma é o modelo de realização dos acontecimentos, que tem espaços e tempos livres, onde os acontecimentos são potencialidades desenvolvidas das relações entre os elementos do principio característico das multiplicidades.(...)

(...)Guattari, antes mesmo deste livro, escreveu juntamente com Deleuze o Anti-Édipo, onde ele tenta fazer uma ruptura da psicanálise. A psicanálise tem como objeto o inconsciente, porém cristalizado. O que ele procura nos mostrar é que existe a possibilidade de estudar o inconsciente sem que o mesmo esteja cristalizado ou somente conectado à descrições de fatos, mas a possibilidade de exploração de um inconsciente não-camuflado, puro nele mesmo, sem que seja estudado pela camuflagem que o recobre, como os recantos da memória ou da linguagem. O que a psicanálise fez até então foi um decalque do inconsciente. Mas Deleuze e ele tentam mostrar que é possível fazer um mapa do inconsciente, muito além do simples decalque.

É como observar uma cidade inteira do alto de uma montanha, perceber como é a geologia do lugar, ao invés de adentrar a cidade e medir o território já estabelecido. Se observar do alto, poderá perceber as potencialidades de crescimento daquele território, mas se adentrar a cidade, apenas fará um estudo de pontos daquele determinado lugar, fechando as possibilidades de entrada e saída. Assim funciona com o inconsciente, que, pelo que foi compreendido aqui, deve ser estudado enquanto possibilidades, e não se limitar a fatos ou extratos que o compõem.

O rizoma é o mapa do lugar. Ele tem entradas múltiplas, o que permite também a sua expansão. Ao contrário do decalque, que cava sempre no mesmo lugar.

Deleuze e Guattari chamam isso de esquizoanálise. “Ao contrário da psicanálise, da competência psicanalítica, que achata cada desejo e enunciado sobre um eixo genético ou uma estrutura sobrecodificante e que produz ao infinito decalques dos estágios sobre este eixo(…) a esquizoanálise recusa toda a idéia de fatalidade decalcada, seja qual for o nome que lhe dê, histórica, econômica, estrutural, hereditária, etc.”

O desejo, para a esquizoanálise de Deleuze e Guattari, não é necessariamente ligado a um eixo genético, nem participa de uma estrutura profunda, ele atua como uma intensidade que circula entre entradas e saídas de problemas nos quais vivemos politicamente, e assim o desejo se transforma em pulsão, e pode ser vivenciado através das escolhas políticas decorrentes de agenciamentos.

Estudar o inconsciente seria mostrar como ele tenta constituir um rizoma, mas também com linhas de fuga. Essas linhas de fuga normalmente são obstruídas quando atentamos apenas para o enraizamento do indivíduo na família, sociedade, cultura. Ao invés de fechar o sistema, devemos abri-lo e possibilitar infinitas linhas de fuga.



“Pode até ser que a psicanálise sirva, não obstante nela, como ponto de apoio. Em outros casos, ao contrário, nos apoiaremos diretamente sobre uma linha de fuga que permita explodir os estratos, romper as raízes e operar novas conexões”.

O termo esquizoanálise vem do germânico skhízein (esquizo) que significa fender, dividido. Análise fendida, dividida, multiplicada.

Segundo Wikipedia:

“A cada momento, o ser humano é atravessado por forças externas, que se encontram no campo sócio-cultural, as quais promovem encontros que ora cristalizam o sujeito nos seus valores, tornando-o um ser mecânico e repetitivo, ora os faz produzir e viver de forma criativa e potente na relação com a vida.

Criada por Gilles Deleuze e Felix Guattari, a Esquizoanálise é uma concepção da realidade em todas suas superfícies, processos e entes, e também nas suas individuações inventivas como acontecimentos-devires. Para esta concepção, a produção e o desejo são imanentes entre si e produtores de toda a realidade. Consiste em uma ampla leitura da realidade, tanto natural, quanto social, subjetiva e assim como de uma realidade “outra”, pluripotencial.”(...)


LEIA MAIS EM : http://www.consciencia.org/mil-platos-capitalismo-e-esquizofrenia-deleuze-e-guattari

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O INCONSCIENTE,FREUD... E SARTRE (clique aqui e leia na íntegra)Por Sebastian Gardner

(...)Deve-se também observar que um conflito psíquico muito importante na segunda topografia ocorre dentro do ego, indicando que os critérios intrapsicológicos de individualização de Freud não foram exclusivamente conduzidos pelas ocorrências do conflito. O ego, o id, e o superego, como partes da alma, guerreiam, mas eles não são almas antagônicas uns dos outros20.
A bem conhecida crítica de Sartre a Freud, que enfoca a noção (na teoria dos sonhos) do mecanismo de censura, considerou Freud, entretanto, como comprometido com a resposta fortemente divisional. Sartre afirmou: "Através da distinção entre o 'id' e o 'ego', Freud dividiu a totalidade psíquica em dois. Eu sou o ego, mas eu não sou o id... Rejeitando a unidade consciente da psiqué, Freud é forçado a inferir em toda parte uma unidade imaginária"21. Sartre continuou a apontar um paradoxo em tal concepção de pessoa. Mas será que Freud está comprometido com uma concepção de pessoa metafisicamente divisional do tipo que Sartre aponta, embora, talvez, contrário às suas próprias intenções?
O que a questão finalmente aborda, pode-se sugerir, é isto: será que é necessário - para se pensar o inconsciente, ou qualquer entidade distinta postulada pela forma característica da descrição psicanalítica -, tomar posse das crenças da pessoa, como Sartre de fato supõe, e executar intenções direcionadas à mente da pessoa, de modo a manifestar o seu próprio ponto de vista, ponto de vista este que não é o mesmo de uma pessoa como um todo? Se fosse assim, seria correto dizer que a pessoa é profundamente dividida, pois então haveria dentro dela alguma coisa que não merece ser descrita como um "mecanismo", mas sim como uma "proto-pessoa". Um problema então poderia surgir ao se considerar a gênese causal desta parte mental, e a suspeita poderia estabelecer que a parte mental hipotética não é nada além da pessoa como um todo sob outro nome (indicando algum tipo de confusão lógica profunda na teoria psicanalítica) 22.
A fim de contestar esta crítica, um primeiro comentário importante é o seguinte: a teoria psicanalítica está autorizada a usar o conceito de uma disposição, num sentido que não implique a presença de intenções dentro da mente. Em sua forma desenvolvida, a metapsicologia psicanalítica de fato recorre a ele (para tomar um exemplo fundamental, na teoria do sintoma da ansiedade (1926d [1925], XX, 125-6), de modo a fazer com que a ativação de uma disposição assuma o trabalho feito, na antiga explicação teórica de Freud, pelo mecanismo de censura.
A adequação desse tipo geral de réplicas a Sartre leva-nos, entretanto, a outra questão: até que ponto podemos seguir construindo explicações baseadas na hipótese do inconsciente? O que finalmente decide a questão entre Freud e Sartre é quanta racionalidade, ou capacidade de pensamento estratégico, é investida por Freud em sua descrição do inconsciente: se a racionalidade, marcada pela capacidade de formular intenções, está envolvida no pensamento inconsciente, então o inconsciente se aproxima de uma proto-pessoa, mas se não está envolvida, então ele não precisa ser assim concebido.
Embora se possa talvez argumentar em favor de Sartre que existe razão para se pensar que, nas histórias de casos, Freud deve ter concebido o inconsciente como capaz de intenção manipulatória, há evidência conclusiva de que ele não pretendeu fazer isso. Freud afirma categoricamente que, em todos os casos de motivação inconsciente tratados pela teoria psicanalítica, uma firme distinção deve ser traçada entre a influência do próprio inconsciente, Ucs, cuja operação é sempre concebida através da extrapolação do modelo não estratégico da realização do desejo como um processo no qual representações de objetos necessitados, mas indisponíveis, são formadas em resposta direta à frustração, sem qualquer mediação do pensamento; e a operação dos desejos no Pcs, que pode ter um caráter estratégico, de tal modo que o último seja dependente do primeiro.(...)

LEIA NA ÍNTEGRA EM : http://www.cfh.ufsc.br/~wfil/gardner.htm
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